Clientes e funcionários de um bar em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, relataram agressões por parte de agentes da Guarda Ostensiva Municipal (Romu) durante uma ação no estabelecimento na madrugada de domingo, 15 de março de 2026.
Um vídeo registrado no local mostra o uso de spray de pimenta e cassetetes contra as vítimas. Todos os agredidos compareceram ao Instituto Médico Legal (IML) para realizar exame de corpo de delito.
O cabeleireiro Hiago Benevenuto afirmou que os agentes chegaram sem qualquer abordagem e começaram a atacá-los. Ele declarou:
““Eles começaram com spray de pimenta e cassetete. Eu associo isso a homofobia e racismo. Nos trataram como se fôssemos criminosos, mas não fizemos nada.””
O garçom Nathan Richard, que estava em uma boate LGBT, relatou que também foi agredido. Ele disse:
““Levei cassetadas no braço e na cabeça e fui expulso de uma padaria enquanto tentava me esconder. Estou todo machucado e sentindo dor até agora. Me espancaram muito até eu ficar quase inconsciente.””
O sócio do bar, Luan Vinícius, afirmou que ele, seu irmão e outros clientes foram agredidos sem motivação. Ele comentou:
““Foi um ato homofóbico. A maioria do público ali era gay, e eles chegaram mascarados, com spray de pimenta, agredindo todo mundo. Não houve qualquer tipo de assistência, foi violência gratuita.””
Jobson dos Santos, dono do bar, relatou que a ação continuou mesmo após ele ter obedecido à ordem de fechar o estabelecimento, que possui alvará para funcionar 24 horas. Ele disse:
““Eles jogavam spray de pimenta na cara de todo mundo e batiam nas pessoas. Nem me pediram para mostrar o alvará. Depois, quando fui à sede da Guarda, vi funcionários rindo, como se fosse algo vantajoso.””
A Polícia Civil informou que vai investigar o caso e que os agentes serão intimados para prestar declarações. A Prefeitura de Cabo Frio anunciou que a Secretaria de Segurança e Ordem Pública instaurou sindicância para apurar a atuação dos guardas e afastou os agentes envolvidos das atividades operacionais até a conclusão do procedimento. Em nota, a Secretaria afirmou:
““Todos os fatos serão analisados com transparência, e as medidas cabíveis serão adotadas, caso necessário. A Secretaria também se coloca à disposição das autoridades policiais para prestar esclarecimentos.””


