O agricultor Sidrônio Moreira, residente em Tabuleiro do Norte, Ceará, encontrou um líquido semelhante a petróleo ao perfurar um poço em busca de água. A descoberta ocorreu em novembro de 2024, e desde então, ele tem recebido propostas para vender as terras onde a possível jazida está localizada.
Sidrônio vive com sua esposa e dois filhos no Sítio Santo Estevão, que possui cerca de 48 hectares, herdado de seu pai. Ele encontrou o líquido escuro ao perfurar dois poços, tentando contornar a seca na região. A localidade, chamada Baixa do Juazeiro, fica a aproximadamente 35 quilômetros da sede do município.
““Muita gente ofereceu para comprar o terreno. Quando eles falam em comprar o terreno, eu corto a ligação, porque não [quero] vender mesmo”, comentou Sidrônio.”
Desde que o líquido foi encontrado, o agricultor tem recebido muitas visitas. A Agência Nacional de Petróleo (ANP) visitou o sítio no dia 12 de março de 2026, após sete meses da notificação. A família aguarda o laudo da ANP para confirmar se a substância é realmente petróleo.
A família depende de uma adutora e de carros-pipa, gastando cerca de R$ 100 por mês com água mineral, que não é suficiente. Sidrônio teve que vender animais e reduzir plantações devido à falta de abastecimento. Apesar das dificuldades, ele não considera deixar as terras onde vive há 20 anos.
A substância foi encontrada enquanto Sidrônio perfurava o solo para abastecer os animais. Um vídeo gravado pela família mostra o momento em que o líquido escuro emerge do buraco. Inicialmente, Sidrônio pensou que se tratava de água, mas posteriormente a família descobriu que poderia ser petróleo.
Tabuleiro do Norte, localizado a cerca de 210 quilômetros de Fortaleza, faz parte da região do Vale do Jaguaribe e está próximo à Bacia Potiguar, uma área de exploração de petróleo. Embora a localidade não esteja inserida em nenhum bloco de exploração, a descoberta ocorreu a apenas 11 quilômetros do bloco mais próximo.
A família e o Instituto Federal do Ceará (IFCE) informaram a ANP sobre a descoberta em julho de 2025, mas a agência só se manifestou em 25 de fevereiro de 2026, informando que abriria um procedimento administrativo para investigar o caso. Mesmo que a substância seja confirmada como petróleo, Sidrônio não poderá comercializá-la, pois, segundo a legislação brasileira, riquezas encontradas no subsolo pertencem à União.
A ANP deverá confirmar a natureza da substância e, mesmo que seja petróleo, o agricultor não terá permissão para extrair ou vender o combustível.


