O agricultor Sidrônio Moreira, de 63 anos, encontrou uma possível jazida de petróleo ao perfurar um poço em seu quintal na cidade de Tabuleiro do Norte, Ceará. O achado ocorreu enquanto ele buscava água, e desde então surgiram dúvidas sobre a possibilidade de lucrar com o líquido, caso seja confirmado que se trata de petróleo.
Sidrônio perfurou dois poços devido às dificuldades de acesso à água encanada em sua propriedade. No lugar da água, ele encontrou um líquido preto, denso, viscoso e com cheiro de combustível. O caso começou em novembro de 2024, mas a Agência Nacional do Petróleo (ANP) visitou o local pela primeira vez apenas no dia 12 de março de 2026. A família aguarda um laudo definitivo do órgão para esclarecimentos.
Moisés Vieira, representante da ANP, informou que a orientação principal é isolar a área e evitar qualquer contato com o material encontrado. Os proprietários não devem acessar o poço nem permitir a aproximação de terceiros, a fim de garantir a segurança das pessoas e proteger o meio ambiente. Ele explicou que o Instituto Federal do Ceará (IFCE) irá coletar uma amostra do líquido para análise laboratorial.
A ANP abriu um processo para apurar oficialmente a notificação do achado, mas ainda não há prazo estimado para a conclusão e divulgação dos resultados. A duração do processo dependerá da logística de transporte da amostra e da complexidade dos testes exigidos.
De acordo com a Constituição Federal, o subsolo e suas riquezas, como petróleo e gás, pertencem exclusivamente à União. Portanto, Sidrônio Moreira não tem direito ou titularidade sobre o recurso natural descoberto. A exploração e produção do petróleo só podem ocorrer mediante um contrato assinado entre a União, a ANP e empresas especializadas.
Embora o agricultor não possa vender o petróleo, ele poderá ter um retorno financeiro se a área passar por um processo de exploração e produção comercial no futuro. Nesse caso, ele teria direito a receber um percentual, que pode chegar a até 1%, dependendo de vários fatores que precisarão ser avaliados.
Técnicos da ANP afirmaram que o achado causou espanto, pois é incomum que um líquido semelhante a petróleo jorre de uma profundidade considerada rasa, de 40 metros. O superintendente da ANP, Ildeson Prates Bastos, explicou que houve uma perfuração rasa, muito abaixo do que é normalmente realizado na exploração de petróleo e gás.
A ANP confirmou que as terras de Sidrônio estão contempladas pela bacia sedimentar de Potiguar, mas somente testes mais específicos poderão confirmar se o líquido é realmente petróleo. Não há prazo definido para a divulgação desse resultado.


