O agricultor cearense Sidrônio Moreira encontrou um líquido semelhante a petróleo ao perfurar um poço em busca de água em seu sítio, localizado em Tabuleiro do Norte, no dia 12 de março de 2026. Ele aguarda a análise da Agência Nacional de Petróleo (ANP) para confirmar a natureza do material.
Desde a descoberta, Sidrônio tem recebido diversas visitas, incluindo a da ANP, que ocorreu sete meses após a notificação oficial. O agricultor expressou que, se tivesse que escolher entre petróleo e água, preferiria água, um recurso escasso na região onde vive.
“[Entre petróleo e água, eu queria a água]. Agora, se tem jeito de extrair o óleo, eu aceitaria de mãos abertas (…) Se desse uma renda para mim, a primeira coisa que eu ia fazer era furar um poço, porque eu preciso é da água”, afirmou Sidrônio.
Ele reside com a esposa e dois filhos em um sítio de cerca de 48 hectares, herdado após a morte do pai. A família enfrenta dificuldades com o abastecimento de água, dependendo de uma adutora e de carro-pipa, além de gastar cerca de R$ 100 por mês em água mineral.
“A água que chega não é suficiente para deixar a família tranquila”, disse Sidrônio, que teve que vender alguns animais devido à falta de água. Apesar das dificuldades, ele não considera vender o sítio, mesmo após receber propostas. “Quando eles falam em comprar o terreno, eu corto a ligação, porque não [quero] vender mesmo”, comentou.
A descoberta do líquido semelhante a petróleo gerou grande interesse na cidade, e Sidrônio ganhou o apelido de “novo sheik”. No entanto, ele enfatiza que não espera enriquecer com a situação. “Eu não quero riqueza, quero dinheiro para sobreviver, você acredita?”, declarou.
A substância foi encontrada em novembro de 2024, enquanto Sidrônio perfurava o solo para abastecer seus animais. Um vídeo gravado pela família mostra o momento em que o líquido escuro emerge do buraco, inicialmente acreditando se tratar de água. A família notificou a ANP sobre a descoberta em julho de 2025, mas a agência só se manifestou em fevereiro de 2026.
Mesmo que a ANP confirme que o líquido é petróleo, Sidrônio não poderá comercializá-lo, pois, segundo a legislação brasileira, riquezas encontradas no subsolo pertencem à União.


