Um agricultor encontrou um possível poço de petróleo no município de Tabuleiro do Norte, no Ceará, enquanto perfurava um poço de aproximadamente 40 metros de profundidade em busca de água. O achado ocorreu em novembro de 2024, quando um líquido escuro emergiu do buraco, levando o agricultor Sidrônio Moreira a comemorar, acreditando tratar-se de água.
Após a descoberta, a família de Sidrônio realizou testes laboratoriais que indicaram que a amostra do líquido possui características físico-químicas semelhantes ao petróleo encontrado em jazidas do Rio Grande do Norte. A confirmação oficial, no entanto, depende de análise por um laboratório credenciado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), que já investiga o caso.
O professor de Engenharia Química Hosiberto Batista, da Universidade Federal do Ceará (UFC), afirmou que a profundidade em que o líquido foi encontrado é considerada ‘pouco comum’ para a presença de petróleo. Ele coordena um grupo de pesquisa que recebeu uma amostra do líquido e realizará testes complementares.
A localidade onde a substância foi encontrada, Sítio Santo Estevão, está a apenas 11 quilômetros de um campo de exploração de petróleo no Rio Grande do Norte, próximo à Bacia Potiguar, uma área tradicional na extração de petróleo. Hosiberto destacou que a região não estava catalogada pela ANP para futuras licitações de exploração.
Em junho de 2025, o filho de Sidrônio, Saullo Moreira, procurou o Instituto Federal do Ceará (IFCE) em busca de orientação. Após análises realizadas no Núcleo de Pesquisa em Baixo Carbono da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), foi confirmado que o líquido é um hidrocarboneto semelhante ao petróleo.
A ANP confirmou em 25 de fevereiro de 2026 que recebeu a notificação da descoberta e que irá investigar o caso, contatando a Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Ceará (Sema) para avaliar a necessidade de uma vistoria técnica na área.
A família de Sidrônio enfrenta dificuldades com o abastecimento de água, dependendo de uma adutora que não atende plenamente suas necessidades. Sidrônio tomou um empréstimo para furar o solo, mas até agora não conseguiu encontrar água.
Enquanto aguarda a resposta da ANP sobre a análise do líquido, Sidrônio expressou sua preocupação com a escassez de água, afirmando: ‘Qualquer coisa que desse aí servia para a gente, porque é uma calamidade muito grande de água aqui’.


