O agricultor Sidrônio Moreira, que encontrou um possível poço de petróleo em seu sítio em Tabuleiro do Norte, Ceará, deve isolar o local das perfurações enquanto aguarda um laudo definitivo da Agência Nacional do Petróleo (ANP). A orientação para isolar a área e evitar contato com o material foi dada pela ANP e pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), que visitaram o terreno no dia 12 de março.
Sidrônio perfurou dois poços em busca de água, já que não possui abastecimento encanado e enfrenta escassez na região. No entanto, ao invés de água, ele encontrou um líquido preto, denso e viscoso, com cheiro de combustível.
O caso teve início em novembro de 2024, mas a ANP visitou o local pela primeira vez neste ano. A família aguarda um laudo definitivo para esclarecimentos. Moisés Vieira, representante da ANP, destacou que a principal orientação é isolar a área e evitar qualquer contato com o material encontrado. Os proprietários não devem acessar o poço nem permitir a aproximação de terceiros.
“Essa precaução é fundamental para garantir a segurança das pessoas e proteger o meio ambiente contra possíveis riscos não dimensionados”, afirmou Vieira. Ele também mencionou que o Instituto Federal do Ceará (IFCE) irá coletar uma amostra do líquido para análise em laboratório, a fim de determinar suas características químicas.
A ANP abriu um processo para apurar oficialmente a notificação, mas ainda não há prazo estimado para a conclusão e divulgação dos resultados. O tempo necessário dependerá da logística de transporte da amostra e da complexidade dos testes laboratoriais.
Lincoln Davi, gestor ambiental da Semace, expressou preocupação com a proximidade de recursos hídricos das perfurações, pois há risco de contaminação, especialmente durante o período chuvoso. Ele ressaltou que a prática de contato com o líquido deve ser desencorajada, pois pode ser inflamável e tóxico.
Embora o agricultor não tenha direito sobre o petróleo, caso a exploração comercial se concretize, ele poderá receber um percentual como compensação financeira. A Constituição Federal determina que o subsolo e suas riquezas são propriedade da União.
Técnicos da ANP relataram que o achado causou espanto, pois é incomum que um líquido semelhante a petróleo jorre de uma profundidade considerada rasa, como 40 metros. A ANP confirmou que as terras de Sidrônio estão na bacia sedimentar de Potiguar, mas apenas análises específicas poderão confirmar a natureza do líquido encontrado.


