Parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) devem apresentar emendas à MP 1340/26, editada pelo governo na semana passada, com o objetivo de conter a alta do diesel e reduzir o impacto dos combustíveis sobre o agronegócio, em meio às tensões no Oriente Médio.
O vice-presidente da FPA na Câmara, Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), afirmou que a estratégia do setor envolve medidas de curto prazo para mitigar o impacto imediato da alta do diesel, além de iniciativas estruturais para reduzir a dependência externa e conter a inflação.
““Queremos que o governo continue tomando medidas para controlar a alta do preço de combustíveis. Então, estamos apoiando a medida provisória que foi decretada. Vamos apresentar emendas no sentido de aperfeiçoá-la. Estamos também nos somando a um apelo aos governos estaduais que possam aliviar também a tributação sobre combustíveis, para poder segurar isso”, disse Jardim em coletiva de imprensa após reunião da frente nesta terça-feira (17).”
A FPA também aposta no avanço dos biocombustíveis como alternativa para reduzir a dependência do diesel e aliviar os custos. Jardim mencionou que foi enviada uma carta aos membros do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) para sensibilizá-los sobre a necessidade do aumento da mistura de biocombustíveis.
““Nós estamos propondo que vá à faixa de 32% o etanol [na mistura com gasolina]. No combustível do futuro, o cenário traçado lá era para ir até 35%, isso gradativamente vai se avançando. […] Então, hoje há uma tempestade perfeita ao contrário, no bom sentido, porque o biodiesel tem testes que comprovam que ele pode ir a 16% e a 17%, tem suprimento e tem um equilíbrio perfeito do ponto de vista econômico”, destacou.”
O aumento da mistura de biocombustíveis seria discutido em reunião do CNPE, que foi cancelada e ainda não tem nova data. Jardim explicou que a legislação permite que o CNPE calibra a mistura anualmente, considerando situações favoráveis como o aumento do preço do petróleo.
A FPA também pretende atuar na questão dos fertilizantes, focando na redução da dependência externa do Brasil em insumos estratégicos para a produção agrícola. Jardim mencionou que cerca de 35% da ureia consumida no Brasil vem do Irã e que há dependência de Oman, que enfrenta problemas de acesso pelo Estreito de Hormuz.
A bancada busca reforçar a tramitação do Profert, projeto que visa incentivar a produção nacional de fertilizantes e reduzir a dependência de importações. A FPA distribuiu um material técnico que aponta que o impacto da crise tende a se intensificar nos próximos meses, afetando a formação de custos da safra 2026/27.
Jardim alertou que a combinação entre a alta do diesel, o encarecimento de fertilizantes e gargalos logísticos pode elevar o custo de produção e reduzir a margem do produtor, além de impactar a competitividade das exportações brasileiras.
““Vai ter impacto de custos. O que nós estamos fazendo é uma política de contenção de danos de minorado. Eu seria totalmente artificial, nossos colegas nunca falaram isso, ‘olha, nós vamos dar um jeito de não aumentar o preço do combustível’, seria impossível”, frisou Jardim.”

