Representantes do agronegócio e parlamentares se reúnem nesta terça-feira (17), em Brasília, para discutir os efeitos da escalada das tensões no Oriente Médio sobre os custos do setor. O foco do debate é o reajuste de R$ 0,38 no diesel, em um momento de pico da colheita da soja e maior demanda por transporte.
A avaliação é de que a subvenção de R$ 0,32 por litro, editada pelo governo por meio da MP 1340/26, pode não ser suficiente para conter o avanço dos fretes. Em polos produtores como Mato Grosso e Paraná, transportadoras já trabalham com reajustes nas tabelas, entre 5% e 8%. O setor monitora o risco de repasse ao longo da cadeia, uma vez que o aumento do combustível eleva o custo de escoamento e pode afetar a competitividade das exportações.
Na véspera, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, se reuniu com representantes do setor para tratar de produção e logística. O encontro ocorreu em meio a uma sequência de agendas com o setor, que também incluíram discussões sobre exportações de soja para a China após a suspensão de embarques. Segundo relatos, as conversas têm abordado tanto gargalos logísticos quanto riscos comerciais, em um momento de maior sensibilidade para o escoamento da safra.
Com mais de 60% da área colhida, o aumento da demanda por transporte já pressiona a logística. Interlocutores relatam risco de filas nos portos e elevação de custos associados ao atraso de navios. Além do diesel, o setor acompanha os efeitos do conflito sobre a cadeia de fertilizantes, uma vez que o Brasil depende de rotas internacionais para o abastecimento, e eventuais interrupções podem afetar o custo da próxima safra.
A reunião da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária) também inclui o seguro rural, tema recorrente entre produtores diante da limitação da cobertura atual. O setor defende a ampliação dos recursos de subvenção e maior previsibilidade para contratação das apólices, em um cenário de aumento de riscos climáticos e de custos.
Ainda nesta terça-feira, o Sistema OCB lança a Agenda Institucional do Cooperativismo 2026, com pautas do setor nos Três Poderes, às 19h.


