Água como arma de guerra: EUA e Israel enfrentam Irã em novo cenário

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã tem revelado a água como um recurso estratégico, além do petróleo. A guerra, que se intensifica na região do Golfo, levanta preocupações sobre a escassez de água potável, um recurso já limitado.

O Golfo possui apenas 2% das fontes globais renováveis de água potável e depende fortemente da dessalinização. O Instituto Francês de Relações Internacionais aponta que 90% da água do Kuwait é dessalinizada, assim como 86% em Omã, 70% na Arábia Saudita e 42% nos Emirados Árabes Unidos.

Will Le Quesne, do Centro de Ciências do Meio Ambiente, Pesca e Aquicultura de Omã, afirmou: “Em 2021, o volume total de produção das usinas de dessalinização, que retiram água do Golfo, foi de mais de 20 milhões de metros cúbicos por dia, o equivalente a 8 mil piscinas olímpicas diariamente”.

A produção agrícola na região também depende da água dessalinizada, enquanto as reservas subterrâneas, usadas para irrigação, estão esgotadas. Essa dependência torna a infraestrutura de abastecimento de água uma vulnerabilidade estratégica que tanto os EUA quanto o Irã desejam explorar.

Analistas descrevem a estratégia do Irã como “escalada horizontal”, ampliando o conflito sem confrontos diretos. Ataques à infraestrutura de água são parte dessa estratégia, visando criar pânico e pressão sobre os governos do Golfo para que busquem a paz.

“”Se os governos do Golfo acreditarem que a infraestrutura de abastecimento de água está sob ataque, eles serão mais propensos a pressionar os Estados Unidos a tentar pôr fim à guerra”, disse o professor Marc Owen Jones, da Universidade do Noroeste, no Catar.”

O Bahrein acusou o Irã de atacar uma usina de dessalinização, enquanto o Irã afirma que os EUA danificaram uma usina na ilha de Qeshm. Também se acredita que ataques iranianos ao porto de Jebel Ali, em Dubai, tenham ameaçado uma das maiores usinas de dessalinização do mundo.

O professor Kaveh Madani, da Universidade das Nações Unidas, comentou que o Irã enquadra suas ações como reações “justificadas” aos ataques sofridos. Ele destacou que a água sempre foi usada como arma e ameaça, citando a Convenção de Genebra que proíbe ataques a infraestrutura civil.

O Irã enfrenta uma grave escassez de água, agravada por baixos níveis de chuvas e problemas de gestão. As represas estão em estado preocupante, e o país pode enfrentar racionamento no futuro. As tensões regionais e disputas sobre recursos hídricos com países vizinhos também complicam a situação.

Os conflitos atuais demonstram como a fragilidade dos sistemas de abastecimento de água no Oriente Médio pode influenciar a duração e os rumos da guerra. A água, assim como o petróleo, pode ser um fator determinante em futuros conflitos na região.

Compartilhe esta notícia