Água se torna recurso estratégico na guerra do Irã e pode influenciar o conflito

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A guerra envolvendo o Irã trouxe à tona a água como um recurso estratégico. Enquanto o preço do petróleo dispara, ataques e ameaças contra usinas de dessalinização no Golfo Pérsico acendem o alerta na região.

Essas instalações, responsáveis por grande parte do abastecimento de água potável, são vitais para a população. Analistas afirmam que a destruição em larga escala dessas plantas pode resultar em falta de água em grandes cidades em poucos dias.

“A água pode se tornar “o recurso geopolítico que decide a guerra”, disse o colunista de energia da Bloomberg, Javier Blas.”

Recentemente, um ataque de drone atribuído ao Irã danificou uma planta de dessalinização no Bahrein. Outras instalações na região estão sendo consideradas alvos estratégicos, devido à sua proximidade com refinarias e usinas de energia, que frequentemente são visadas em conflitos.

A interdependência entre a produção de água e energia torna essas usinas particularmente vulneráveis. Um ataque a uma usina elétrica pode interromper simultaneamente a produção de água, causando um efeito cascata no abastecimento urbano.

A geografia do Oriente Médio contribui para a vulnerabilidade hídrica. O Golfo Pérsico é uma das regiões mais secas do planeta, levando países a dependerem quase totalmente da dessalinização. Por exemplo, o Kuwait obtém cerca de 90% da água potável por dessalinização, enquanto Omã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos dependem de 86%, 70% e 42%, respectivamente.

Se várias dessas plantas forem atingidas, cidades inteiras podem se tornar temporariamente inabitáveis. O Irã, que enfrenta uma grave crise hídrica, também tem sua infraestrutura hídrica vulnerável durante a guerra.

O país enfrenta anos de seca severa, exacerbada por mudanças climáticas e má gestão de recursos. Com reservatórios em níveis historicamente baixos e mais de 70% dos aquíferos explorados além da capacidade de reposição, a escassez de água já gerou protestos em várias cidades.

O conflito atual evidencia a interseção entre escassez de água, mudanças climáticas e segurança internacional. O Oriente Médio é uma das regiões mais afetadas pelo aquecimento global, e a pressão sobre os governos para investir em soluções como a dessalinização aumenta. Contudo, essas soluções criam novas dependências e podem se tornar alvos militares em crises, tornando a água um fator de instabilidade na região nas próximas décadas.

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