Isuke Takakura voltou para Futaba, cidade que não existe mais como ele lembrava, 15 anos após o desastre de 11 de março de 2011. As ruas e alguns prédios permanecem, mas a população caiu de cerca de 7,2 mil para apenas 190 moradores, uma redução de mais de 97%.
Takakura caminha pelas ruas conhecidas desde a infância, passando por casas abandonadas e terrenos cobertos pela vegetação. Ele expressa sua raiva e tristeza, afirmando:
“‘Se ninguém fizer nada, este lugar se tornará uma terra morta.'”
Essa frase reflete sua motivação para retornar à cidade.
Após o terremoto, tsunami e acidente nuclear, a região enfrenta um lento processo de reconstrução. Futaba e cidades vizinhas tentam reinventar suas economias com novas indústrias e projetos experimentais, enquanto os moradores que retornam se perguntam se é possível reconstruir uma comunidade após a saída quase total da população.
Futaba, localizada na costa da província de Fukushima, estava a cerca de 4 quilômetros da usina nuclear de Fukushima Daiichi. O terremoto de magnitude 9.0 em 2011 provocou um tsunami que causou mais de 20 mil mortes e destruiu cidades inteiras. O tsunami também inundou a usina, resultando no maior acidente nuclear desde Chernobyl.
Seis anos após a evacuação, o governo japonês começou a retirar as ordens de evacuação, mas a maioria das pessoas não retornou. Takakura decidiu liderar a reconstrução do santuário xintoísta da comunidade, que era o centro espiritual da aldeia. Ele acredita que, sem o santuário, Futaba não teria alma:
“‘Se não houver algo para as pessoas voltarem, elas simplesmente não voltam.'”
O novo santuário foi concluído há quatro anos, mas não trouxe a população de volta. No entanto, trouxe a sensação de que o lugar ainda pode existir. A reconstrução, no entanto, exige trabalho e empregos. Nos últimos anos, a região começou a atrair pequenos projetos industriais e tecnológicos.
A palavra radiação ainda gera apreensão, e muitos antigos moradores hesitam em voltar devido ao medo e à perda de infraestrutura. Estudos indicam que os níveis atuais de exposição são baixos, mas o medo persiste, especialmente em relação à comida, que carrega um estigma difícil de apagar.
Em Namie, uma startup está reinventando a aquicultura, produzindo peixes em terra firme com água salgada artificial. Outra empresa transforma arroz descartado em bioplástico, buscando mudar a imagem da região associada ao desastre nuclear. Em Tomioka, uma vinícola surgiu da vontade de reconstruir o território, com moradores cultivando uvas e produzindo vinho, apesar das dificuldades iniciais.

