Os Estados Unidos enfrentam resistência de seus aliados após o presidente Donald Trump solicitar o envio de navios de guerra para escoltar petroleiros pelo Estreito de Ormuz, no Oriente Médio.
De acordo com a analista de Internacional, Fernanda Magnotta, os países aliados têm se mostrado reticentes ou rejeitado categoricamente os pedidos americanos. A situação reflete uma crise de confiança que se intensificou nos últimos anos entre os Estados Unidos e seus parceiros internacionais.
Segundo Magnotta, essa deterioração nas relações não é recente e se agravou especialmente desde 2017, durante o primeiro mandato de Trump, quando ele já questionava fortemente os investimentos americanos em estruturas de governança global e mecanismos diplomáticos.
““O presidente Trump sempre teve uma visão muito cética, eu diria até pessimista, sobre estruturas de governança global e mecanismos diplomáticos em geral. Ele costuma ter uma visão de política externa que é muito orientada pela ideia de retorno sobre o investimento”, explicou a analista.”
A analista destacou que Trump pressionou constantemente os europeus para aumentarem suas contribuições financeiras à OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), conseguindo alguns avanços nessa direção, mas a um alto custo político.
Os aliados europeus consideram o governo Trump instável e de baixa credibilidade quanto a promessas e compromissos de longo prazo. Magnotta explica que, para os países europeus, envolver-se na guerra no Oriente Médio significaria não apenas dividir recursos e energia com outros conflitos prioritários, como a guerra na Ucrânia, mas também se expor a novos riscos.
““Os europeus já estão lutando outras frentes de batalha que para eles são prioritárias do ponto de vista geopolítico, como o próprio caso da OTAN e aquilo que envolve a Rússia”, afirmou a especialista.”
Aliados europeus temem que apoiar os Estados Unidos nessa operação no Estreito de Ormuz possa transformá-los em alvos do Irã e seus grupos aliados.
““Eles não estão querendo colocar um alvo nas costas na medida em que eles se aliam aos Estados Unidos”, concluiu Magnotta.”


