Aluna relata constrangimento em academia por usar top durante treino

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A engenheira Poliana Frigi relatou um episódio de constrangimento em uma academia em São José dos Campos (SP) após ser orientada a cobrir o top que usava durante o treino. O incidente ocorreu no último fim de semana na unidade da John Boy Academia, localizada no bairro Jardim Oswaldo Cruz.

Segundo Poliana, uma funcionária questionou se o top era um sutiã e pediu que ela vestisse uma camiseta para sua ‘segurança’, alegando que havia ‘homens casados’ no local. Indignada, a engenheira expressou sua insatisfação nas redes sociais, afirmando que a situação não deve ser considerada normal e criticando a responsabilização das mulheres por assédios.

““Até onde isso vai ser normal? Até onde vão repreender mulheres pela vestimenta? Independente da roupa, eu estava com um top de academia normal. Parece que o problema sempre vai ser a mulher, e não o ambiente ou o comportamento dos outros”, lamentou Poliana.”

Após a abordagem, Poliana se sentiu desconfortável e começou a questionar sua própria roupa e aparência. Ela relatou que se olhou no espelho e passou a duvidar se estava vestida de forma adequada, o que gerou insegurança e afetou sua experiência na academia. De acordo com a engenheira, ela decidiu ir embora antes de terminar o treino.

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““Eu comecei a me olhar no espelho e pensar: será que eu estou com um top pequeno? Será que está aparecendo alguma coisa? Eu comecei a me sentir mal. Eu saí de lá estressada, sem querer voltar nunca mais”, afirmou.”

A John Boy Academia emitiu uma nota informando que tomou conhecimento do caso e que abriu uma apuração interna. A academia afirmou que seu compromisso é manter um ambiente ‘respeitoso, seguro e acolhedor’ e que está revisando seus protocolos de atendimento e comunicação, além de promover treinamentos sobre respeito, diversidade e inclusão.

““Entendemos que qualquer situação que possa gerar desconforto deve ser abordada com sensibilidade, cuidado e responsabilidade. Iniciamos imediatamente uma apuração interna para compreender integralmente o ocorrido”, diz a nota.”

A academia também declarou que está tentando contato com Poliana e pediu desculpas pelo episódio. A advogada Raquel Marcondes, consultada sobre o caso, destacou que situações como essa podem configurar constrangimento ilegal, especialmente se ocorrerem em público e gerarem humilhação.

““Se isso acontece de forma pública, com outras pessoas assistindo, e gera humilhação, a situação se torna ainda mais grave e pode ter repercussão tanto na esfera penal quanto na civil”, afirmou a especialista.”

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Ela orientou que a vítima deve registrar o ocorrido e procurar orientação jurídica, recomendando que formalize uma reclamação junto à empresa e busque órgãos de defesa do consumidor ou a Justiça, se necessário.

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