Alya Nanossatélites nega fornecimento de dados à China após relatório dos EUA

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

A startup brasileira Alya Nanossatélites negou nesta quinta-feira (5) que fornecerá dados ao governo chinês, após ser citada em um relatório da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos. O documento aponta que a China estaria utilizando instalações na América Latina para fins militares, incluindo duas no Brasil.

A CEO da empresa, Aila Raquel, afirmou que a Alya tem fins apenas civis e comerciais, oferecendo registros por satélite do território brasileiro para monitoramentos ambientais, respostas a desastres naturais e gestão territorial. O relatório menciona a Estação Terrestre de Tucano, na Bahia, como parte de uma rede de instalações que a China pretende usar na América Latina.

O relatório do Congresso dos EUA destaca que a Beijing Tianlian Space Technology fornecerá dados de comunicação de voz de longa duração e alta cobertura entre espaço e Terra. Raquel negou que a Alya Space opere serviços de comunicação de voz, afirmando:

“”A Alya Space não opera serviços de comunicação de voz de longa duração ou de alta cobertura entre o espaço e a Terra. A empresa desenvolve soluções de observação da Terra, com foco na geração e análise de imagens para aplicações civis, incluindo monitoramento ambiental, acompanhamento de desastres naturais e gestão territorial.””

A Alya Space também declarou que opera sob princípios estritamente civis e comerciais, alinhados às legislações nacionais e internacionais. Raquel informou que ainda não foi procurada por membros da comissão do Congresso norte-americano.

O relatório, elaborado pela Comissão Seleta da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos sobre Competição Estratégica entre os Estados Unidos e o Partido Comunista Chinês, expressa preocupação com a participação chinesa em instalações na Bahia. A comissão, formada por deputados de ambos os partidos, visa desenvolver estratégias para competir com a China.

Os deputados ressaltam que a China está criando uma rede de bases na América Latina que podem ser utilizadas para fins militares. O relatório é intitulado “China em nosso quintal dos fundos: volume 2 – Puxando a América Latina para a Órbita da China”.

Além da Estação Terrestre de Tucano, o relatório menciona um laboratório de radioastronomia na Serra do Urubu, na Paraíba. A estação Tucano foi estabelecida em 2020, durante o governo Bolsonaro, por meio de um acordo entre a Alya Nanossatélites e a Beijing Tianlian.

Os deputados americanos concluem que a presença da China na região pode representar uma ameaça à segurança nacional dos EUA, afirmando que a infraestrutura espacial da China pode ser utilizada para espionagem e monitoramento de atividades militares.

A comissão recomenda que o governo dos EUA trabalhe com países da América Latina, incluindo o Brasil, para promover a transparência e a supervisão legal das instalações espaciais. Na terça-feira (3), a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados do Brasil solicitou explicações ao Ministério da Defesa sobre a estação de Tucano.

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