Amazonprev aplicou R$ 390 milhões em letras financeiras desaconselhadas

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A Fundação de Previdência do Amazonas (Amazonprev) aplicou cerca de R$ 390 milhões em letras financeiras entre junho e setembro de 2024, apesar de recomendações contrárias de analistas da própria fundação e de uma consultoria contratada.

A consultoria LDB havia desaconselhado o uso dos recursos do fundo previdenciário dos servidores públicos do estado para a aquisição de títulos emitidos por instituições privadas. As aplicações foram feitas em letras financeiras dos bancos Master, Daycoval, BTG Pactual e C6 Consignado.

A Polícia Federal (PF) solicitou à Justiça Federal autorização para realizar a Operação Sine Consensu, deflagrada em 6 de março de 2026, após identificar que os investimentos contrariavam normas de governança e regras federais aplicáveis aos recursos previdenciários.

As letras financeiras, que não têm a segurança do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), foram consideradas de alto risco pela juíza Ana Paula Serizawa Silva Podedworny. Ela destacou que a gestão de fundos previdenciários deve ser feita com máxima prudência para garantir o pagamento de benefícios aos servidores aposentados.

Entre as aplicações, a Amazonprev adquiriu R$ 50 milhões em letras do Banco Master em junho de 2024, sem discussão prévia no Comitê de Investimentos. O Banco Central determinou a liquidação do Master em novembro de 2025 por emitir falsos títulos de créditos.

A fundação também investiu R$ 50 milhões em letras do Banco Daycoval e R$ 40,72 milhões em títulos do BTG Pactual. A maior aplicação, de R$ 250 milhões, foi feita em letras do Banco C6. A juíza observou indícios de gestão inapropriada e fraudulenta dos recursos.

Três servidores da Amazonprev foram afastados: Claudinei Soares, André Luis Bentes de Souza e Cláudio Marins de Melo. Soares foi apontado como o principal responsável pelas aplicações suspeitas e recebeu R$ 273,8 mil da empresa Alfa A Consultoria e Gestão de Frota, que também repassou valores a outros dois diretores.

A Amazonprev afirmou que está colaborando com as investigações e que as aplicações não representam riscos para o pagamento dos benefícios, já que o fundo apresenta superávit atuarial de R$ 1,7 bilhão.

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