A amizade entre mulheres pode ter efeitos que vão além do apoio emocional. Pesquisas científicas indicam que esses vínculos podem produzir impactos biológicos mensuráveis, ajudando a reduzir o estresse e a fortalecer mecanismos de regulação emocional.
Um dos principais fatores por trás desse efeito é a oxitocina, o hormônio associado ao apego, à confiança e à formação de vínculos sociais. Estudos mostram que interações de apoio entre mulheres podem estimular sua liberação, contribuindo para diminuir níveis de cortisol, substância relacionada às respostas de estresse do corpo.
A descoberta começou a ganhar força no início dos anos 2000, quando pesquisadores passaram a questionar um dos modelos mais tradicionais da biologia do estresse. A teoria dominante descrevia a resposta humana ao estresse por meio do mecanismo conhecido como “luta ou fuga”. No entanto, essa teoria foi formulada a partir de pesquisas realizadas majoritariamente com homens.
Em 2000, um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade da Califórnia, publicado na revista científica Psychological Review, sugeriu que mulheres frequentemente respondem ao estresse de forma diferente. Em vez de reagirem apenas com confronto ou evasão, muitas tendem a buscar conexão social, um comportamento descrito como “tend and befriend”, que pode ser traduzido como “cuidar e criar vínculos”.
A hipótese sugere que, diante de situações difíceis, mulheres têm maior tendência a procurar apoio em relações próximas, especialmente entre amigas. A ação da oxitocina nesse processo ajuda a regular o estresse, reduzindo os níveis de cortisol e favorecendo comportamentos de aproximação social.
Pesquisas mais recentes reforçam a relevância desses vínculos. Um estudo publicado em 2022 na Journal of Humanistic Psychology, que analisou 244 mulheres, encontrou associação entre amizades de maior qualidade e indicadores positivos de saúde emocional. Mulheres que relatavam relações de amizade mais fortes apresentavam níveis mais elevados de autoestima, esperança e percepção de apoio social.
Além do bem-estar emocional, laços sociais também podem influenciar indicadores de saúde física. Uma revisão científica publicada na revista Philosophical Transactions of the Royal Society B reuniu evidências mostrando que relações sociais funcionam como amortecedores do estresse. Os estudos analisados indicam que o isolamento social pode aumentar o risco de mortalidade em níveis comparáveis aos de fatores tradicionalmente considerados prejudiciais à saúde.


