O Irã vive um momento de grande instabilidade política após a morte do líder supremo Ali Khamenei. O especialista Américo Martins analisa que o país atravessa um período crucial, com um sistema político que demonstra sinais de esgotamento. Apesar da fragilidade aparente, Martins afirma que não será fácil derrubar o regime dos aiatolás, que governa o país há mais de quatro décadas.
Segundo Martins, não existem precedentes históricos de mudanças de regime realizadas apenas com bombardeios aéreos, como os que Israel e Estados Unidos têm conduzido contra o território iraniano. Ele explica que, em geral, mudanças de regime costumam ocorrer com invasões, citando exemplos como Iraque, Afeganistão e Líbia, que enfrentaram instabilidade política após intervenções estrangeiras.
O analista destaca que a estrutura institucional do Irã, desenvolvida ao longo dos 47 anos desde a revolução islâmica de 1979, torna o regime particularmente resistente a tentativas de mudança. Martins afirma: “É um regime que, ao longo desses anos de revolução islâmica, foi se preparando para conflitos. Sabia que estava numa vizinhança hostil”.
Diferentemente de outros regimes autocráticos que dependem de uma figura central, o sistema iraniano possui múltiplos pilares de sustentação. “Vocês decapitaram, os Estados Unidos decapitou o regime, matou o líder supremo, mas existe toda uma estrutura institucional no Irã”, ressaltou Martins. Entre essas estruturas estão a Guarda Revolucionária, considerada o principal pilar de sustentação do regime, além das forças militares convencionais e o BASIG, uma milícia paramilitar.
O cenário atual é de grande tensão, com Israel e Estados Unidos intensificando ataques contra o Irã. Martins menciona que o presidente Donald Trump deixou claro que não aceitará nada menos que “uma rendição incondicional e o colapso total do regime iraniano”, o que sugere um prolongamento do conflito. Ele também indicou que os Estados Unidos estariam planejando armar milícias curdas para atuarem dentro do território iraniano, o que poderia fomentar rebeliões internas e levar a uma guerra civil no Irã.
Martins questiona a resistência do Irã em comparação com a posição dos Estados Unidos e Israel. Enquanto Israel parece determinado a enfraquecer a República Islâmica, eliminando suas lideranças, a posição americana pode ser mais volátil, especialmente considerando a oposição interna à guerra e possíveis mudanças na administração de Trump. Apesar da intensidade dos ataques e da pressão internacional, o regime iraniano parece determinado a resistir, apoiado em estruturas de poder meticulosamente construídas para enfrentar ameaças externas.


