Os Estados Unidos podem ser responsáveis pelo ataque a uma escola primária no sul do Irã, que resultou na morte de dezenas de crianças. A análise foi realizada por especialistas e divulgada em 6 de março de 2026.
A escola primária Shajare Tayyiba, localizada em Minab, foi atingida em 28 de fevereiro, aproximadamente na mesma hora de um ataque a uma base naval da IRGC (Guarda Revolucionária Islâmica). A Casa Branca não descartou a possibilidade de que militares americanos tenham realizado o ataque, que, segundo a mídia estatal iraniana, matou pelo menos 168 crianças e 14 professores.
Um porta-voz das FDI (Forças de Defesa de Israel) afirmou que “não tinha conhecimento de nenhuma atividade das FDI na área”. Tanto os EUA quanto o Irã enfatizaram que não têm como alvo civis.
A CNN normalmente obtém imagens dos destroços das armas utilizadas em ataques para determinar sua origem, mas, devido ao bloqueio da internet no Irã, as evidências são limitadas. Apesar disso, outras informações indicam a responsabilidade dos EUA pelo ataque, que ocorreu na manhã de sábado, primeiro dia da semana de trabalho e aulas no Irã.
Vídeos geolocalizados mostram que a escola foi atingida no mesmo horário ou próximo ao do ataque à base naval. Um desses vídeos mostra fumaça saindo tanto da instalação da Guarda Revolucionária Islâmica quanto do prédio da escola. Imagens de satélite de 2013 mostraram que a escola e a base faziam parte do mesmo complexo, mas imagens de 2016 revelaram que uma cerca havia sido erguida para separar a escola do restante da base.
O especialista em munições N.R. Jenzen-Jones afirmou que as imagens e vídeos de satélite “mostram múltiplos ataques simultâneos ou quase simultâneos” atingindo tanto o complexo da Guarda Revolucionária Islâmica quanto a escola. Inicialmente, especulações sugeriram que a explosão na escola poderia ter sido causada por uma falha no sistema de defesa aérea iraniano, mas Jenzen-Jones considerou essa explicação improvável.
Ele destacou que os danos significativos nos edifícios da base naval sugerem que foram atingidos por munições guiadas de precisão, e não por “mísseis de defesa aérea que falharam”. Segundo Jenzen-Jones, bases militares como a de Minab costumam ser alvos pré-planejados nos primeiros confrontos de um conflito.
Autoridades americanas confirmaram que os EUA atacaram alvos militares no sul do Irã. O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, apresentou um mapa mostrando os ataques americanos e israelenses contra o Irã nas primeiras 100 horas da guerra. Ele afirmou que os EUA continuaram a exercer pressão marítima ao longo da costa sudeste do Irã.
A explicação mais provável para o ataque à escola, segundo Jenzen-Jones, é que os EUA atingiram inadvertidamente a instalação enquanto realizavam o ataque à base naval. O Departamento de Defesa dos Estados Unidos encaminhou a CNN ao Centcom (Comando Central), que afirmou que “seria inapropriado comentar, visto que o caso está sob investigação”. O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, afirmou que uma investigação foi iniciada.
Embora a apuração ainda esteja em andamento, a Reuters noticiou que investigadores militares americanos acreditam ser provável que as forças americanas sejam responsáveis pelo ataque à escola. O chefe de direitos humanos da ONU, Volker Türk, expressou “sérias preocupações” sobre a conformidade dos ataques com o direito internacional humanitário.
““O ataque não pode se tornar apenas mais um incidente horrível que sai das manchetes e deixa de ser prioridade. É preciso haver responsabilização”, disse Ravina Shamdasani, porta-voz da ONU.”

