Análise da reação da Rússia ao conflito no Oriente Médio

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O crescente conflito no Oriente Médio entre Estados Unidos, Israel e Irã tem gerado reações cautelosas da Rússia, que monitora os desdobramentos com interesse estratégico. Especialistas afirmam que o Kremlin adota uma postura de não interferência direta, aproveitando-se da dispersão de recursos militares e diplomáticos do Ocidente.

Durante o videocast Fora da Ordem, realizado na última sexta-feira (6), analistas destacaram que Vladimir Putin não busca um confronto direto com os Estados Unidos, especialmente considerando a possível volta de Donald Trump ao poder. Líderes europeus enfatizam a necessidade de uma “estreita coordenação militar” na região.

““Não acredito na possibilidade de um confronto direto. Não interessa à Rússia nem à China e, obviamente, também não aos Estados Unidos”, avaliou Lourival Sant’Anna durante o debate.”

A estratégia russa parece seguir a máxima da Arte da Guerra: “Se o seu inimigo está cometendo um erro, não interfira”. Assim, Moscou observa com atenção o desgaste dos recursos militares americanos no Oriente Médio, o que pode beneficiar seus interesses na Ucrânia.

Com a degradação do equipamento militar americano e o uso dos estoques para o conflito no Irã, torna-se mais difícil para os Estados Unidos continuarem fornecendo ajuda substancial à Ucrânia. O conflito no Oriente Médio pode aumentar as pressões de Trump sobre Zelensky, caso o republicano vença as eleições americanas.

““Para o Putin é o momento de jogar parado, esperar a elevação das pressões do Trump sobre o Zelensky e a redução da ajuda militar dos Estados Unidos para a Ucrânia”, destacou um dos participantes do debate.”

A dispersão de energia econômica, militar e política dos Estados Unidos no Oriente Médio gera impaciência em relação ao conflito Rússia-Ucrânia. Trump já indicou que considera excessivos os gastos americanos com a Ucrânia, preferindo redirecionar recursos para o novo conflito no Oriente Médio.

Além disso, a Europa percebe uma maior instabilidade na região, o que pode levar os países europeus a reterem seus estoques de armamentos, em vez de enviá-los à Ucrânia. Esse cenário é descrito pelos analistas como “muito ruim para a Ucrânia e muito bom para a Rússia” no plano tático imediato.

No último sábado (28), os Estados Unidos e Israel iniciaram uma nova onda de ataques contra o Irã, em meio a tensões sobre o programa nuclear iraniano. O regime iraniano começou a retaliar contra países do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas, incluindo Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.

No domingo, a mídia estatal iraniana anunciou que o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, foi uma das vítimas dos ataques norte-americanos e israelenses. Após o anúncio da morte de Khamenei, o Irã ameaçou lançar a “ofensiva mais pesada” de sua história.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país considera se vingar pelos ataques de Israel e dos Estados Unidos como um “direito e dever legítimo”. Em resposta, Trump ameaçou o Irã, dizendo: “é melhor que eles não façam isso, porque se fizerem, nós os atingiremos com uma força nunca antes vista”. Os ataques entre as partes continuam neste domingo.

Trump já havia afirmado que os ataques contra o Irã vão continuar “ininterruptos durante toda a semana ou pelo tempo que for necessário para alcançarmos nosso objetivo de PAZ EM TODO O ORIENTE MÉDIO E, DE FATO, NO MUNDO!”.

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