André Mendonça tem demonstrado uma postura de cautela ao lidar com casos que envolvem parlamentares, evitando conflitos com o Congresso Nacional. A analista Isabel Mega destacou essa abordagem durante o programa Bastidores CNN, na terça-feira, 17 de março de 2026.
A decisão mais recente do ministro foi em relação à Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, onde ele negou o pedido de prisão da deputada Gorete Pereira (MDB-CE), um dos principais alvos da operação. Mendonça afirmou: “Tenho adotado uma postura cautelosa em relação a pedidos de decretação de prisão de parlamentares”.
O ministro justificou sua posição, ressaltando que a prisão de parlamentares “acarreta efeitos significativos em uma república, notadamente por inviabilizar o pleno exercício do mandato parlamentar”. Ele acrescentou que, embora seja possível decretar a prisão de um parlamentar, essa medida deve ser adotada “em circunstâncias excepcionais”.
Isabel Mega observou que, apesar das suspeitas sobre Gorete Pereira, que incluem compras de imóveis e movimentação de cifras milionárias, essas evidências ainda não são suficientes para que Mendonça considere o caso excepcional. “Ele está adotando cautela porque está evitando entrar em rota de colisão com o Congresso Nacional”, disse a analista.
André Mendonça também é responsável por outros casos sensíveis que podem envolver parlamentares, como o caso Master e a operação do INSS. Sua decisão atual já indica sua postura em possíveis desdobramentos futuros que atinjam membros do Congresso Nacional.
Isabel Mega afirmou que a cautela do ministro reflete uma preocupação com o equilíbrio entre os poderes e o reconhecimento do “espírito de corpo” existente no Congresso, onde “mexeu com um, mexeu com todos”.
Ela concluiu que, ao adotar essa postura, Mendonça envia uma mensagem ao mundo político sobre como pretende conduzir casos sensíveis sob sua responsabilidade, especialmente em um momento de tensão entre os poderes da República.


