Uma equipe da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) visitará nesta quinta-feira (12) a propriedade do agricultor Sidrônio Moreira, localizada na zona rural de Tabuleiro do Norte, no Sertão do Ceará. O objetivo da visita é avaliar dois poços que apresentaram um material escuro e inflamável, com características semelhantes às do petróleo.
A inspeção foi agendada após a ANP ser formalmente notificada sobre o caso. A agência entrou em contato com a família no início de março e, em ofício enviado no dia 3, informou que recebeu a notificação feita em 24 de julho de 2025. Os técnicos da ANP devem chegar ao município no fim da manhã de hoje e seguir para o Sítio Santo Estevão, que fica no Baixo Vale do Jaguaribe, no topo da Chapada do Apodi.
Como a área é rural, a expectativa é que a equipe permaneça no local durante parte da tarde. A vistoria será realizada em conjunto com técnicos da Semace (Superintendência Estadual do Meio Ambiente do Ceará). A ANP não divulgou quais procedimentos serão realizados nesta etapa da visita, nem se haverá coleta de material ou estudos geológicos na região.
A perfuração dos poços foi realizada por Sidrônio Moreira em busca de água para sua propriedade, com um empréstimo de R$ 15 mil, conforme informações de seu filho, Saullo Santiago. A residência da família está em uma área atendida por uma adutora, mas a água chega com pouca vazão e sem pressão, dificultando o abastecimento.
A prefeitura anunciou a construção de uma nova adutora para a região, mas a obra ainda não tem previsão de conclusão. A água distribuída é restrita ao consumo humano, e Sidrônio pretendia usar a água do poço para os animais da propriedade.
A primeira perfuração começou em novembro de 2024 e ultrapassou 40 metros de profundidade sem atingir o lençol freático, resultando na descoberta do material escuro e viscoso. Uma segunda perfuração, a cerca de 50 metros de distância, também encontrou sinais do mesmo material, levando à suspensão das escavações. Os poços foram isolados, e a família ficou sem acesso à água.
Meses depois, uma amostra do líquido foi retirada de um dos poços e enviada ao campus de Tabuleiro do Norte do IFCE (Instituto Federal do Ceará). O engenheiro químico Adriano Lima afirmou que a instituição recebeu o relato com cautela, devido à profundidade em que o material foi encontrado. O IFCE buscou apoio externo e enviou o material para análises no Núcleo de Pesquisa em Economia de Baixo Carbono da Ufersa (Universidade Federal Rural do Semi-Árido), em Mossoró, no Rio Grande do Norte. Os testes preliminares indicaram que a substância é composta por uma mistura de hidrocarbonetos com características semelhantes às do petróleo extraído na Bacia Potiguar.

