Anúncios fraudulentos estão se espalhando pelas redes sociais, levando usuários a caírem em golpes. As empresas que controlam essas plataformas afirmam que tentam conter as fraudes, mas os conteúdos enganosos continuam circulando.
Os golpes online estão se tornando cada vez mais sofisticados. Criminosos utilizam inteligência artificial para criar anúncios que prometem facilidades inexistentes para acesso a serviços públicos, além de vídeos falsos com a imagem e voz de pessoas conhecidas. O médico Drauzio Varella comentou sobre o uso indevido de sua imagem em fraudes na internet há pelo menos dez anos, ressaltando que a IA tornou esses golpes ainda mais perigosos:
““Mesmo pessoas que me conhecem falam: ‘não, era você falando, eu vi você falando’. Eu digo: não era, é falsa a propaganda.””
A especialista em manipulação e desinformação em redes sociais, Marie Santini, destacou que todos estão cada vez mais vulneráveis:
““A gente não pode transferir para o consumidor e para o usuário a responsabilidade de se proteger das fraudes e golpes.””
Ela defende a necessidade de uma solução coletiva que inclua regulamentação e fiscalização.
O Anuário de Segurança Pública revelou uma migração significativa do crime do ambiente real para o virtual. Em seis anos, o índice de roubos caiu 51% no país, enquanto os crimes na internet aumentaram 408%. Para impulsionar um anúncio e alcançar um grande número de usuários, o contratante paga à big tech, geralmente com cartão de crédito, e precisa se cadastrar com CPF ou CNPJ.
Marie Santini criticou as empresas de tecnologia, afirmando que elas não têm feito o suficiente para evitar golpes:
““Se uma empresa não tem condições de verificar o cadastro e os dados bancários de seus clientes, ela não pode nem operar.””
As grandes empresas de tecnologia afirmam ter tomado medidas para evitar a publicação de anúncios fraudulentos. Uma reportagem da Reuters revelou que a Meta estima que 10% de sua receita em 2024, cerca de US$ 16 bilhões, vieram de anúncios fraudulentos. No Brasil, a Meta informa que o combate a fraudes é uma prioridade e que em 2025 removeu 159 milhões de anúncios fraudulentos, 92% deles antes de serem denunciados.
O Google também afirmou que proíbe anúncios fraudulentos e, em 2024, removeu 201 milhões de anúncios e suspendeu 1,3 milhão de contas de anunciantes. O X e o TikTok declararam que não permitem conteúdos manipulados, incluindo os gerados por inteligência artificial.
A Advocacia-Geral da União abriu mais de 150 processos em 2025 para retirar anúncios fraudulentos da internet, conseguindo êxito em quase 90% dos casos, mas reconhecendo que isso ainda é insuficiente diante da gravidade do problema.
““Hoje, a AGU tem uma equipe dedicada a isso.””
Flávio José Roman afirmou que as plataformas têm capacidade de remover conteúdos prejudiciais, como pornografia e mutilação, e devem fazer o mesmo com conteúdos fraudulentos.

