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Anvisa aprova medicamento para epilepsia farmacorresistente

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou o medicamento Xcopri (cenobamato) para o tratamento de crises focais em adultos com epilepsia farmacorresistente. Essa condição afeta cerca de 30% das pessoas com epilepsia, que continuam a ter crises mesmo após tentativas de tratamento com pelo menos dois medicamentos diferentes.

O cenobamato atua reduzindo a atividade elétrica anormal no cérebro, diminuindo a frequência das crises. Nos estudos clínicos, foi observado que 40% dos pacientes que utilizaram 100 miligramas (mg) por dia apresentaram uma redução de pelo menos 50% na frequência das crises. Já 64% dos que tomaram 400 mg por dia também tiveram a mesma melhora. Em comparação, o grupo que recebeu placebo teve uma melhora de apenas 26%.

Apesar da aprovação, o Xcopri só poderá ser comercializado após a definição do preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). A inclusão do medicamento no SUS (Sistema Único de Saúde) dependerá da avaliação da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde) e da decisão do Ministério da Saúde.

A epilepsia é uma alteração temporária e reversível do funcionamento do cérebro, que não é causada por febre, drogas ou distúrbios metabólicos. As crises podem ser parciais, quando restritas a uma parte do cérebro, ou generalizadas, quando envolvem ambos os hemisférios. O diagnóstico é geralmente clínico, baseado em exame físico e histórico do paciente.

A aprovação do Xcopri ocorre durante o Março Roxo, mês dedicado à conscientização sobre a epilepsia, que inclui o Dia Mundial de Conscientização da Epilepsia, celebrado em 26 de março. Essa iniciativa visa informar a população sobre a condição, reduzir o estigma social e promover empatia.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), aproximadamente 65 milhões de pessoas no mundo têm epilepsia, sendo mais de 2 milhões no Brasil. A Liga Brasileira de Epilepsia (LBE) destaca que muitos pacientes enfrentam desafios relacionados ao tratamento, além de preconceito e desinformação.

““Trata-se de medicação indicada no tratamento de pacientes com epilepsia farmacorresistente, cujos resultados foram muito superiores àqueles alcançados pelos novos medicamentos anti-crises disponíveis. Oferecer uma chance consideravelmente maior de controle das crises para esses pacientes é urgente”, afirmou Juliana Passos, neurologista e membro da diretoria da LBE.”

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