Aquecimento global pode ultrapassar limite crítico antes de 2030, alerta estudo

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A temperatura média da Terra está aumentando em um ritmo mais acelerado do que em qualquer outro momento desde o início das medições modernas, conforme um estudo liderado por pesquisadores do Instituto de Pesquisa de Impacto Climático de Potsdam, na Alemanha.

A pesquisa revela que a velocidade de aumento da temperatura global quase dobrou nos últimos dez anos. O planeta passou de um ritmo de aquecimento de menos de 0,2°C por década entre 1970 e 2015 para cerca de 0,35°C por década na última década, a maior taxa registrada desde que as medições começaram em 1880.

Os cientistas separaram o efeito das atividades humanas das variações naturais do clima utilizando métodos estatísticos que minimizam o impacto de fatores como El Niño, ciclos solares e erupções vulcânicas. Mesmo após essa análise, os dados mostraram uma aceleração clara no aquecimento do planeta.

O principal fator para essa aceleração continua sendo a emissão de gases de efeito estufa, especialmente o dióxido de carbono proveniente da queima de combustíveis fósseis. Desde o período pré-industrial, a temperatura média global já subiu cerca de 1,4°C, intensificada pelo acúmulo de poluentes que retêm calor na atmosfera.

Outro fator mencionado pelos pesquisadores é a recente redução de poluentes de enxofre na atmosfera, que, embora prejudiciais à saúde, tinham um efeito temporário de resfriamento ao refletir parte da radiação solar de volta ao espaço.

O estudo indica que, se a tendência observada na última década persistir, o planeta poderá ultrapassar de forma duradoura o limite de 1,5°C acima da temperatura pré-industrial antes de 2030, conforme estabelecido no Acordo de Paris. Dados do programa europeu Copernicus sugerem que esse nível de aquecimento pode ser alcançado ainda este ano, enquanto outros conjuntos de dados apontam para 2028 e 2029.

Ultrapassar de forma duradoura o nível de 1,5°C é considerado um ponto crítico pelos cientistas do clima, pois aumenta o risco de mudanças irreversíveis em sistemas naturais, como o derretimento acelerado de camadas de gelo e alterações profundas em ecossistemas. Os últimos três anos foram confirmados como o período mais quente já registrado, e eventos extremos, como ondas de calor e chuvas intensas, têm se tornado mais frequentes.

A velocidade com que o planeta continuará aquecendo dependerá principalmente da rapidez com que as emissões globais de dióxido de carbono forem reduzidas nas próximas décadas.

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