Arábia Saudita afirma ter direito de revidar contra o Irã

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A Arábia Saudita declarou nesta quinta-feira (19) que, diante da postura agressiva do Irã, tem o direito de revidar, não apenas de se defender.

As declarações ocorreram durante um encontro em Riad, que reuniu ministros das Relações Exteriores de nações como Catar, Bahrein, Kuwait e Emirados Árabes Unidos. O anfitrião, da Arábia Saudita, fez as declarações mais duras em quase três semanas de guerra:

“”O Irã não acredita no diálogo e tenta pressionar os vizinhos. Posso afirmar categoricamente: não vai funcionar”.”

Essas declarações foram feitas poucas horas após as defesas aéreas sauditas interceptarem mais ataques iranianos. Cenas de ataques têm se repetido pelo Golfo, incluindo um vídeo de uma praia de Dubai mostrando o zumbido de um drone iraniano, seguido por outro vídeo que mostra o drone sendo perseguido por um jato dos Emirados Árabes Unidos.

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Nas duas primeiras semanas de guerra, os países do Golfo derrubaram mais de 200 mísseis e 1,3 mil drones iranianos. Catar e Bahrein também têm acionado seus sistemas de defesa aérea, que utilizam o sistema Patriot, desenvolvido nos Estados Unidos. O custo do sistema é elevado, variando de US$ 4 a 5 milhões por míssil, enquanto os drones iranianos custam entre US$ 20 a 50 mil.

“”Então, não é um sistema eficiente”, afirma Vitélio Brustolin, professor de Relações Internacionais da UFF.”

A Arábia Saudita e os Emirados Árabes ainda contam com outro sistema americano, que é capaz de abater mísseis que voam mais alto. Esses sistemas são mais modernos, mas limitados em número. Os interceptadores usados pelos países do Golfo têm funcionado bem, abateram a maioria dos drones e mísseis iranianos, mas a dúvida persiste: até quando?

Vitélio Brustolin destaca que, segundo dados do Centro de Estudos Estratégicos Internacionais, foram usados mais de mil mísseis Patriots até o momento nessa guerra.

“”Só nos primeiros três dias de guerra, foram utilizados 800 mísseis Patriots, o que é mais do que todos os quatro anos de guerra na Ucrânia”.”

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O professor também menciona que o arsenal do Irã estaria se esgotando, caindo para quase um terço, enquanto os Estados Unidos e Israel têm atingido os veículos lançadores de mísseis do Irã. No entanto, estima-se que o país ainda tenha dezenas de milhares de drones.

O Irã tem saturado o espaço aéreo com centenas de drones de uma vez, e após a ativação dos sistemas de defesa antiaérea, lança poucos mísseis balísticos ou de cruzeiro com alta precisão, pois os sistemas de defesa já não têm mais munição.

“”Fica a questão: o que vai se esgotar primeiro? A capacidade de o Irã atacar ou a dos países do Golfo se defenderem?””

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