O presidente da Argentina, Javier Milei, pode enviar tropas ao Oriente Médio para apoiar os Estados Unidos em um eventual conflito com o Irã. A informação foi confirmada pelo porta-voz da presidência, Javier Lanari, ao jornal El Mundo nesta quarta-feira, 18 de março de 2026.
“Se os Estados Unidos solicitarem, sim. Qualquer tipo de ajuda que considerarem necessária será fornecida”, disse Lanari. Embora ainda não haja um pedido formal por parte de Washington, a declaração indica que Milei dificilmente recusaria apoio ao presidente Donald Trump no conflito, dado o alinhamento do governo argentino com os norte-americanos e com Israel.
Nos últimos dias, a Argentina formalizou sua saída da Organização Mundial da Saúde (OMS), seguindo os passos dos EUA, que fizeram o mesmo em janeiro. Além disso, o país voltou a classificar o Irã como “inimigo”. Durante um evento que marcou os 34 anos do atentado contra a embaixada de Israel em Buenos Aires, Milei afirmou: “A Argentina combate o terrorismo e defende a liberdade. Israel é um aliado estratégico do nosso país.”
A comunidade judaica na Argentina é composta por cerca de 300 mil pessoas, sendo a maior da América Latina e uma das maiores do mundo. A relação entre Buenos Aires e Teerã é historicamente tensa. Em 1994, um atentado contra a associação judaica AMIA resultou na morte de 85 pessoas, com a Justiça argentina atribuindo a responsabilidade ao Irã, que nega envolvimento.
Após as recentes declarações de Milei, a tensão entre os países aumentou. Em um artigo publicado pelo jornal Tehran Times, ligado ao regime iraniano, o país acusou a Argentina de se alinhar aos EUA e a Israel, afirmando que essa postura “cruza uma linha vermelha imperdoável”. O texto sugere ainda que o Irã deve dar uma “resposta proporcional” às declarações do presidente argentino.


