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Segurança

Arma de fogo foi usada em 47% dos homicídios de mulheres no Brasil em 2024, aponta estudo

Amanda Rocha
Última atualização: 8 de março de 2026 10:00
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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Um estudo do Instituto Sou da Paz revelou que 47% dos homicídios de mulheres no Brasil em 2024 foram cometidos com arma de fogo. A pesquisa, divulgada neste domingo (8), mostra que no total, 3.642 mulheres foram vítimas de homicídios no país naquele ano, conforme dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde.

O levantamento, intitulado “Pela Vida das Mulheres: o Papel da Arma de Fogo na Violência de Gênero”, inclui todas as mortes de mulheres classificadas como homicídio, abrangendo óbitos por agressão, feminicídio e mortes decorrentes de intervenção policial. Apesar de uma redução de 5% nos homicídios de mulheres entre 2020 e 2024, as mortes de homens caíram 15% no mesmo período.

As mortes de mulheres por arma de fogo também apresentaram uma queda de 12%, mas esse tipo de arma continua sendo o mais utilizado nos homicídios. A pesquisadora em segurança pública do Instituto Sou da Paz, Malu Pinheiro, destacou que “nos casos de feminicídio em que foram utilizadas armas de fogo, há até 85% mais chances de a vítima morrer do que quando outros meios de agressão são utilizados”.

““Nos casos de feminicídio em que foram utilizadas armas de fogo, há até 85% mais chances de a vítima morrer do que quando outros meios de agressão são utilizados”, afirmou Malu Pinheiro.”

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O relatório também revelou que 1.492 homicídios de mulheres foram classificados como feminicídio, representando cerca de 40% do total de homicídios femininos em 2024. Essa taxa é um aumento em relação a 2023, quando 36,8% dos assassinatos de mulheres foram classificados como feminicídio. Os feminicídios foram praticados principalmente com arma branca (48%) e arma de fogo (23%).

Em relação aos locais dos homicídios, 35% ocorreram em residências e 29% em vias públicas. Quando desconsiderados os casos sem informação sobre o local, 45% das mortes ocorreram em casa e 37% em vias públicas. Homicídios com arma de fogo tendem a ocorrer mais em vias públicas, enquanto homicídios por outros meios ocorrem principalmente dentro de casa.

O estudo também apontou que 67,5% das mulheres vítimas de homicídio no Brasil são negras, e essa proporção sobe para 72,3% nos casos de violência armada. A maioria das vítimas tem entre 18 e 44 anos, representando 68% dos homicídios de mulheres. A região Nordeste concentrou 38% dos homicídios de mulheres em 2024, com 51% desses crimes cometidos com arma de fogo.

Além disso, o levantamento indicou que mudanças nas políticas de acesso a armas de fogo impactam a violência armada no país. Entre 2018 e 2022, o número de registros de colecionadores, atiradores e caçadores (CACs) cresceu 665%. A pesquisadora Malu Pinheiro afirmou que a flexibilização do acesso a armas legais pode influenciar o cenário de violência contra mulheres.

““A flexibilização do acesso às armas aumentou o número de casos em que armas obtidas legalmente são utilizadas em homicídios contra mulheres”, disse Malu Pinheiro.”

Em 2024, foram registradas 327,7 mil notificações de violência interpessoal contra mulheres no sistema de saúde, incluindo agressões físicas, psicológicas e sexuais. A maior parte das notificações de violência armada ocorreu dentro de casa (44,5%). A diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo, ressaltou a necessidade de fortalecer as políticas de proteção às mulheres.

““A prevenção desse cenário depende da efetiva implementação de equipamentos da rede de proteção nos territórios onde vivem as mulheres”, afirmou Carolina Ricardo.”

TAGGED:armas de fogoCarolina RicardoFeminicídiohomicídiosInstituto Sou da PazMalu PinheiroMinistério da SaúdeSegurança Públicaviolência de gênero
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