Pelo menos 400 pessoas morreram e 250 ficaram feridas em um ataque aéreo do Paquistão contra um hospital de reabilitação para usuários de drogas na cidade de Cabul, capital do Afeganistão, na noite de segunda-feira (16), segundo um porta-voz do governo talibã afegão.
O Paquistão rejeitou a alegação, afirmando que “almejou precisamente instalações militares e infraestrutura de apoio terrorista”. No local, uma estrutura térrea queimada apresentava marcas de chamas, enquanto outros edifícios foram reduzidos a montes de madeira e metal, com apenas alguns beliches ainda intactos.
“Quando cheguei (ontem à noite), vi que tudo estava em chamas, pessoas estavam sendo queimadas”, relatou o motorista de ambulância Haji Fahim. “De manhã cedo, me ligaram novamente e disseram para eu voltar porque ainda havia corpos sob os escombros.” Ambulâncias e viaturas policiais estavam estacionadas perto do portão do prédio danificado, que era identificado como um “hospital de tratamento para dependentes químicos” com 1.000 leitos.
O ataque aéreo ocorreu horas depois de a China afirmar que continuava pronta para ajudar a aliviar as tensões entre as nações islâmicas do sul da Ásia, pedindo que ambos os países evitassem a expansão da guerra e retornassem à mesa de negociações. O conflito entre Paquistão e Afeganistão, que começou no mês passado, é o mais grave entre os países que dividem uma fronteira de 2.600 km.
Hamdullah Fitrat, porta-voz adjunto do Talibã, informou que o ataque ocorreu às 21h de segunda-feira e teve como alvo o hospital de Omid, que, segundo ele, era um centro de reabilitação para dependentes químicos com 2.000 leitos. “Grandes partes do hospital foram destruídas e há receios de um elevado número de vítimas”, disse ele em uma publicação no X.
Equipes de resgate estavam no local trabalhando para controlar o incêndio e resgatar as vítimas. O Ministério da Informação e Radiodifusão do Paquistão afirmou que a alegação do Talibã era uma “distorção dos fatos”. Em uma postagem publicada durante a madrugada no X, o governo do Paquistão reiterou que tinha como alvo instalações militares e “infraestrutura de apoio terrorista”, incluindo depósitos de equipamentos técnicos e munições dos militantes do Talibã afegão e do Talibã paquistanês.
“Os alvos do Paquistão são precisos e cuidadosamente definidos para garantir que nenhum dano colateral seja causado”, dizia a publicação. “Essa deturpação dos fatos, apresentando-a como um centro de reabilitação para dependentes químicos, busca inflamar ânimos, encobrindo um apoio ilegítimo ao terrorismo transfronteiriço.”


