Na segunda-feira, 9 de março de 2026, ataques aéreos de Israel no sul do Líbano resultaram na morte do padre Pierre El Raii, no vilarejo de Qlayaa, no distrito de Marjayoun. Segundo a Agência Nacional de Notícias do Líbano (NNA), o padre foi ferido ao tentar socorrer um fiel atingido por um primeiro ataque aéreo. Minutos depois, um novo bombardeio atingiu a mesma área, levando o religioso a um hospital local, onde não resistiu aos ferimentos.
O papa Leão XIV expressou “profunda dor” em nota, lamentando “todas as vítimas dos bombardeios destes dias no Oriente Médio, pelos muitos inocentes, entre os quais muitas crianças, e por aqueles que lhes prestavam socorro, como o padre Pierre El Raii”. A confirmação da morte foi feita pelo padre Toufic Bou Merhi, responsável por comunidades católicas em Tiro e Deirmimas.
El Raii era considerado um dos principais líderes religiosos da região e decidiu permanecer com sua comunidade, apesar dos alertas de autoridades israelenses para que a população deixasse a área. Bou Merhi explicou que houve um primeiro ataque que atingiu uma casa perto da paróquia do padre, ferindo um paroquiano. “O padre Pierre correu com dezenas de outros jovens para ajudar o paroquiano: foi quando houve outro ataque, outro bombardeio sobre a mesma casa. O pároco ficou ferido. Ele foi levado para um hospital local, mas morreu. Ele faleceu quase na porta do hospital. Ele tinha apenas cinquenta anos”, disse.
Antes dos ataques, El Raii havia publicado uma mensagem para moradores locais, afirmando que “nunca fugimos e também não fugiremos agora”. Ele reiterou o convite para que aqueles que estavam com medo buscassem abrigo na igreja, que estava aberta e acolhia a todos até que a crise passasse.
O Líbano se viu envolvido na atual guerra na região após o Hezbollah, aliado do Irã, ter lançado mísseis contra Israel na semana anterior, em resposta aos ataques de Israel e Estados Unidos contra Teerã. O ministro da Saúde libanês, Rakan Rakan Naseredin, anunciou que os bombardeios israelenses no Líbano mataram 394 pessoas em uma semana.
Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) indicam que os ataques israelenses ao Líbano já deixaram ao menos 83 crianças mortas e 254 feridas desde 2 de março. Edouard Beigbeder, diretor regional da agência para o Oriente Médio e Norte da África, afirmou que, em média, mais de dez crianças foram mortas por dia no Líbano na última semana, e cerca de 36 ficaram feridas diariamente. Ele classificou o impacto do conflito sobre civis, especialmente crianças, como “gravemente preocupante”.
A escalada do conflito provocou uma nova onda de deslocamentos. A agência estima que cerca de 700 mil pessoas, incluindo aproximadamente 200 mil crianças, tenham sido forçadas a deixar suas casas desde 2 de março, somando-se às dezenas de milhares já desalojadas por episódios anteriores de violência. O Unicef apelou a todas as partes para que protejam os civis e as infraestruturas civis, incluindo escolas e abrigos.
Nesta segunda-feira, a Human Rights Watch (HRW) acusou Israel de usar munições de fósforo branco de forma ilegal sobre áreas residenciais no sul do Líbano. A organização afirmou ter verificado evidências do uso da substância incendiária em 3 de março na cidade de Yohmor. Imagens analisadas mostram projéteis de artilharia contendo fósforo branco explodindo no ar sobre um bairro residencial.
Ramzi Kaiss, pesquisador da Human Rights Watch para o Líbano, afirmou que “o uso ilegal de fósforo branco sobre áreas residenciais é extremamente alarmante e terá consequências graves para civis”. O fósforo branco é uma substância química que entra em combustão ao entrar em contato com o oxigênio e, embora tenha usos militares, seu emprego de forma indiscriminada em áreas povoadas é considerado ilegal pelo direito internacional humanitário.


