Quentin Tarantino, diretor de Pulp Fiction, foi criticado novamente pelo uso recorrente da chamada ‘n-word’ em seus filmes. A reprovação partiu da atriz Rosanna Arquette, que fez parte do elenco do longa lançado em 1994.
A palavra, historicamente criada como um insulto racista contra pessoas negras, foi ressignificada por parte da população negra como símbolo de resistência. No entanto, seu uso por pessoas brancas é amplamente considerado ofensivo.
“Pessoalmente, estou farta do uso da n-word, eu a detesto. Não suporto que (Tarantino) tenha recebido carta branca. Não é arte, é simplesmente racista e assustador”, declarou Arquette.
Essa não é a primeira vez que o cineasta é alvo de críticas no meio artístico. Em 1997, Spike Lee expressou incômodo com a quantidade do termo nos filmes de Tarantino. “Tenho um problema sério com o uso excessivo da ‘N-Word’ por Quentin Tarantino. E que fique registrado que eu nunca disse que ele não pode usar essa palavra — eu a usei em muitos dos meus filmes — mas acho que há algo errado com ele”, afirmou durante o lançamento de Jackie Brown.
Em 2022, quando questionado sobre o assunto, Tarantino pareceu não se importar e deu uma resposta atravessada. “Veja outra coisa. Se você tem algum problema com meus filmes, então eles não são os filmes que você deveria assistir. Aparentemente, eu não os faço para você”, respondeu.
O colega de trabalho Lee Daniels reagiu ao comentário de Tarantino, afirmando que aquela não era a resposta certa para a pergunta. “Há 10 ou 15 anos, eu teria considerado isso artístico, mas n-word é a nossa palavra. Essa é a minha palavra. Você não tem o direito de dizer isso e não tem o direito de se sentir assim. Desculpe”, pontuou.

