O advogado da família da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, encontrada morta com um tiro na cabeça em fevereiro, apresentou um áudio enviado pela policial ao pai dias antes da morte. O material foi entregue à investigação e pode ajudar a esclarecer o contexto do relacionamento dela com o marido.
No áudio, Gisele conversa com o pai sobre a possibilidade de ficar mais perto da família devido à rotina de trabalho e à filha. Em um dos trechos, ela menciona: “Pra mim é melhor ir aí na rua, entendeu? Quanto mais perto daí, melhor… De manhã eu vou sair muito cedo pra ir trabalhar… eu vou ter que deixar a Giovana dormindo aí… então quanto mais perto, melhor”.
De acordo com o advogado, a mensagem indicaria que a policial não estava bem na situação em que vivia e pretendia se afastar do marido. Ele afirma que há registros de que Gisele teria pedido ajuda ao pai para sair de casa, demonstrando medo. A defesa acredita que o conteúdo reforça a hipótese de que ela pensava em se separar.
O áudio foi incluído no inquérito para contextualizar o estado emocional da policial antes da morte. Para a família, o material pode sustentar a linha investigativa de violência doméstica e a possibilidade de feminicídio, hipótese que passou a ser considerada durante a apuração.
A expectativa é de que os resultados de dois novos laudos do caso sejam divulgados. Um deles refere-se à exumação do corpo da soldado e o outro a uma reconstituição feita pelas autoridades. A Polícia Civil aguarda os laudos para analisar se pede a prisão do tenente-coronel.
A soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta no dia 18 de fevereiro no apartamento onde morava com o marido, no bairro do Brás, região central de São Paulo. Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio, mas inconsistências apontadas pela perícia e novos elementos reunidos durante a investigação levaram a Justiça a determinar que o episódio seja investigado como possível feminicídio.
Laudos periciais apontaram que a policial morreu após um disparo de arma de fogo na cabeça. Exames também identificaram lesões no rosto e no pescoço da vítima, descritas como marcas compatíveis com pressão de dedos e arranhões, levantando dúvidas sobre a dinâmica da morte. Outro ponto investigado é o intervalo de tempo entre o disparo ouvido por testemunhas e o acionamento do socorro, que ocorreu cerca de meia hora depois do tiro, ouvido por volta das 7h28.
Familiares da policial relataram às autoridades que o relacionamento do casal era conturbado. A Polícia Civil e a Polícia Militar seguem analisando laudos periciais, depoimentos e documentos relacionados ao caso para esclarecer o que aconteceu dentro do apartamento no dia da morte da soldado.

