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Aumento alarmante de casos de ódio contra mulheres é investigado pela Polícia Federal

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A Polícia Federal está investigando vídeos em redes sociais que incitam a violência contra mulheres. O caso mais recente envolve Maria Neuzete Batista, recepcionista de um hotel em Curitiba, que foi agredida por um hóspede após recusar um avanço. O agressor, identificado como Jhonathan Reynaldo dos Santos, de 24 anos, foi preso em flagrante.

Maria Neuzete relatou: ‘Aquilo foi uma cena de horror. Estou me sentindo um lixo, porque a defesa dele alega que foi um simples ponto casual. Eu não quis dar um beijo nele, porque eu simplesmente estava no meu trabalho.’ O advogado da vítima, Jackson Bahls, afirmou que ‘esse homem ia matar ela, sem dúvida alguma, ia matar ela. E essa morte aconteceria por um único fato: ela é mulher e ele foi rejeitado por ela.’

Pesquisas de instituições como a Fundação Getúlio Vargas mostram que os registros de casos de ódio contra mulheres dispararam nos últimos anos. Um estudo revelou que, no Telegram, existem 200 mil usuários em grupos que estimulam a violência contra mulheres, com um crescimento de 600 vezes desde a pandemia.

Julie Ricard, pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas, explicou que ‘a lógica aqui é dizer: nós, homens, estamos sendo oprimidos, agredidos por essa sociedade que quer favorecer as mulheres.’ Essa situação reflete a dificuldade de alguns homens em lidar com o empoderamento feminino.

O NetLab, laboratório de estudos digitais da Universidade Federal do Rio, também identificou que nove em cada dez canais no YouTube que propagam ódio contra mulheres permanecem ativos, acumulando 23 milhões de inscritos, um aumento de 18%.

Luciane Belin, pesquisadora do NetLab/UFRJ, destacou que ‘a misoginia também precisa ser criminalizada’, mencionando a Lei Lola, de 2018, que atribui à Polícia Federal a responsabilidade de investigar crimes de disseminação de discursos de ódio contra mulheres em ambientes digitais.

Os vídeos investigados pela Polícia Federal viralizaram nas redes sociais com a legenda ‘treinando caso ela diga não’, mostrando jovens simulando agressões. Esses conteúdos foram originados em quatro perfis do TikTok, que foram removidos da plataforma.

Maria Neuzete, que sofreu violência por dizer ‘não’, exige justiça: ‘Eu lutei pela minha vida. Só porque eu não deixei uma pessoa… Eu disse não. Então, eu sou obrigada a pessoa chegar e me assediar e eu aceitar para não morrer?’

A defesa de Jhonathan Reynaldo dos Santos afirmou que se manifestará nos autos do processo. O TikTok informou que retirou os conteúdos assim que recebeu denúncias, priorizando a segurança da comunidade. O YouTube declarou que discursos de ódio e assédio não são permitidos e que aplica rigorosamente suas políticas de conteúdo. O Telegram não respondeu aos questionamentos.

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