O aumento da presença feminina no consumo de vinhos se tornou um fator econômico mensurável. Hoje, as mulheres influenciam decisões que vão do consumo à produção e às estratégias comerciais de vinícolas em diversos países.
Segundo o relatório IWSR Brazil Wine Landscapes 2025, as mulheres representam 53% do mercado consumidor de vinhos no Brasil, um crescimento de cerca de 6 pontos percentuais em relação a 2019. Nos Estados Unidos, elas também são maioria, com cerca de 59% dos consumidores de vinho, conforme levantamento do Wine Market Council.
O estudo revela que até 83% das decisões de compra de vinho são influenciadas por mulheres, seja na escolha do rótulo, da marca ou do local de compra. Especialistas afirmam que esse crescimento se deve à transição das mulheres de consumidoras ocasionais para agentes centrais nas decisões de compra doméstica.
““Sem dúvida. A relação entre mulheres e vinho passou por uma verdadeira metamorfose nos últimos dez anos”, afirma Cecilia Castellani, especialista em vinhos e CEO da vinícola italiana Castellani.”
Castellani destaca que, no passado, as mulheres eram vistas como consumidoras passivas, mas atualmente são responsáveis pelos gastos domésticos e são consumidoras exigentes e bem informadas. Ela observa que cerca de 28% das vinícolas italianas já são geridas por mulheres, trazendo uma visão mais integrada entre produção, marketing e sustentabilidade.
““A gestão feminina introduz uma abordagem multidimensional que conecta produção, estratégia comercial e dimensão humana”, afirma Castellani.”
Mirella Fantinel, representante da importadora de vinhos italianos Italys Wine, aponta que o aumento do número de mulheres no consumo de vinho está modernizando o setor. “No posicionamento de marca, vemos um afastamento de campanhas segmentadas por gênero em favor de uma comunicação mais sofisticada e neutra”, diz.
Ela acrescenta que o lançamento de novos rótulos já considera o paladar feminino como um indicador relevante de sucesso comercial. Especialistas acreditam que o futuro do setor vitivinícola dependerá da capacidade das empresas de compreender e dialogar com esse público.
““As mulheres hoje não apenas consomem mais vinho, mas pesquisam, influenciam escolhas e determinam tendências”, afirma Fantinel.”

