A região de Campinas, em São Paulo, registrou um aumento nas recusas familiares para doação de órgãos entre 2024 e 2025, passando de 94 para 106 registros. Ao mesmo tempo, dados de fevereiro de 2025 mostram que pelo menos 2 mil pessoas aguardam um transplante na região.
No estado de São Paulo, o total de recusas familiares também aumentou, de 742 para 748 no mesmo período. A lista de espera estadual por transplantes atingiu 27,8 mil pacientes em 2025, representando uma alta de 11,5% em relação ao ano anterior.
A coordenadora do Serviço de Transplante Hepático da Unicamp e vice-presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, Ilka Boin, apresentou algumas hipóteses para o aumento das recusas.
“”Claro que tem o sentimento de luto, que é muito forte, cada um vivencia o luto de uma maneira, então isso a gente sempre tem que levar em consideração. Mas uma grande parte é não acreditar no procedimento ou ser levado por fake news, como a gente hoje sabe bem, uma conversa aqui e uma conversa ali”.”
Ilka Boin também ressaltou que existe um protocolo extenso e seguro para confirmar a morte cerebral.
“”Não existe mais irrigação do sangue que é oxigenado para dentro do cérebro, então vai ter um stop, mais ou menos nessa área do corpo, que é onde a gente fala que vai redistribuir o sangue para o cérebro”.”
A estudante Keyla Gonçalves, diagnosticada com ceratocone, aguarda uma doação em uma fila com 1.595 pessoas, com uma média de espera de seis meses.
“”Com muita confiança que vai dar certo. Vou voltar a enxergar tudo”.”
O aposentado Roberto Alves, que também aguarda um transplante, destacou a importância da conversa em vida sobre doação.
“”A família que vai dar o sim para aquela situação. Então é muito bom conversar em vida, poder falar que é a favor, que gosta, que quer ver. Eu, por exemplo, se eu não tivesse o sim daquela família naquele momento, eu não estaria aqui hoje falando com vocês”.”
A Secretaria de Estado da Saúde (SES) realiza campanhas de conscientização sobre a importância da doação de órgãos. Essas iniciativas visam esclarecer dúvidas e reduzir os índices de rejeição à doação. Além disso, as equipes das Organizações de Procura de Órgãos (OPOs) são treinadas para conduzir esse processo e entender as opiniões das pessoas sobre doação.
O Programa TransplantAR, lançado em setembro de 2024, é uma parceria entre a SES-SP e o Instituto Brasileiro de Aviação (IBA), que busca acelerar o resgate e transporte de órgãos. Desde o início do programa, 92 voos foram realizados, contribuindo para o transplante de mais de 90 órgãos, incluindo corações, pulmões, fígados e pâncreas.

