A Austrália não enviará um navio ao Estreito de Ormuz, conforme anunciado pela ministra dos Transportes, Catherine King, nesta segunda-feira (15), no horário local. A decisão ocorre após apelos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que aliados ajudem a garantir a segurança da via navegável.
King declarou à emissora pública ABC que o país não recebeu solicitação para enviar um navio ao estreito, que está efetivamente fechado pelo Irã desde o início da guerra, há mais de duas semanas. ‘Fomos muito claros sobre qual é a nossa contribuição em relação aos pedidos, e até agora, essa contribuição é para os Emirados Árabes Unidos – fornecendo aeronaves para auxiliar na defesa, especialmente considerando o número de australianos que estão naquela região – mas não enviaremos um navio ao Estreito de Ormuz’, afirmou King.
A ministra acrescentou: ‘Sabemos o quão incrivelmente importante isso é, mas não é algo que nos foi solicitado ou para o qual estamos contribuindo’. Trump, por sua vez, intensificou a pressão sobre os aliados dos EUA para que enviem navios ao estreito, embora não tenha feito um pedido explícito à Austrália.
Em uma entrevista ao Financial Times, Trump disse: ‘É mais do que apropriado que as pessoas que se beneficiam do estreito ajudem a garantir que nada de ruim aconteça ali’. Ele também mencionou que, se não houver resposta ou se a resposta for negativa, isso poderá ser prejudicial para o futuro da Otan.
No sábado (14), Trump publicou no Truth Social que espera que ‘China, França, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e outros’ afetados pelo fechamento do estreito enviem navios para a área. O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima crucial, e seu fechamento tem gerado caos no mercado econômico, especialmente no comércio de petróleo.
Contextualmente, a Austrália e os EUA são aliados formais na área de defesa e fortaleceram seus laços nos últimos anos com o pacto Aukus, que visa fornecer à Austrália submarinos de ataque com propulsão nuclear a partir da próxima década, buscando contrabalançar as ambições da China na região do Indo-Pacífico.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, também tratou a crise do Estreito de Ormuz em uma ligação com Trump, discutindo a necessidade de reabrir a passagem marítima, que está fechada desde o início da guerra com o Irã, no dia 28 de fevereiro. Starmer conversou ainda com o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, sobre o impacto do fechamento contínuo do estreito.

