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Aves migratórias são destaque antes da COP15 em Campo Grande

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Campo Grande se prepara para a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Selvagens (COP15/CMS), que ocorrerá entre os dias 23 e 29 de março de 2026. Especialistas ressaltam a importância da cidade para a biodiversidade, com cerca de 400 espécies de aves, sendo aproximadamente 20% delas migratórias.

A expectativa é que entre 2 mil e 3 mil representantes de mais de 130 países participem das discussões sobre estratégias globais de proteção das espécies migratórias. Campo Grande é reconhecida internacionalmente por suas áreas verdes, parques ecológicos e cursos d’água, que a tornam um refúgio para aves migratórias.

A pesquisadora Maristela Benites, do Instituto Mamede de Pesquisa Ambiental e Ecoturismo, destaca que a diversidade de aves na cidade é surpreendente. Ela explica que “a migração é um fenômeno natural e biológico que provoca deslocamentos periódicos de populações animais entre regiões diferentes, geralmente entre áreas de reprodução e locais de alimentação ou descanso”.

Dentre as aves migratórias que passam por Campo Grande estão as neárticas, que vêm da América do Norte, como o falcão-peregrino, que pode atingir até 300 km/h. Também são vistas aves migrantes austrais, que se deslocam dentro da América do Sul, e outras que se reproduzem no sul e sudeste do Brasil, seguindo para o norte do continente.

Esses deslocamentos seguem ciclos naturais anuais, e muitas aves lembram os locais onde encontram alimento e abrigo. A preservação de áreas verdes é essencial para garantir que Campo Grande continue sendo um ponto seguro nas rotas migratórias. Dayane Zanela, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, ressalta que “árvores, parques e corredores verdes oferecem abrigo, locais de repouso, suporte alimentar e condições ambientais favoráveis para essas espécies durante seus deslocamentos”.

A cidade já foi reconhecida como Capital do Turismo de Observação de Aves e recebeu o título internacional “Tree City of the World” por seis vezes. Durante a COP15, serão discutidas medidas para fortalecer a proteção das espécies migratórias, incluindo o combate à captura ilegal de animais e a criação de planos de conservação.

A escolha de Mato Grosso do Sul para sediar o evento também se relaciona à importância do Pantanal, que serve como ponto estratégico para diversas espécies migratórias. Maristela Benites considera a realização da COP15 um marco para o estado, destacando a biodiversidade local e mobilizando a sociedade para a conservação ambiental.

O Instituto Mamede participará da programação científica da conferência, coordenando uma mesa sobre observação de aves e lançando o livro Aves do Caminho da Escola, que aborda a relação entre educação ambiental e a observação de aves.

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