O Banco Central decidiu nesta quarta-feira, 18 de março de 2026, iniciar o ciclo de afrouxamento monetário ao reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual. A Selic estava estacionada em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas.
A decisão está alinhada com as expectativas mais recentes do mercado, que, até o início de março, apostava em um corte mais intenso de 0,5 ponto percentual. A mudança nas expectativas ocorreu na última semana, com investidores adotando um cenário mais cauteloso, refletido nos preços de opções na Bolsa, que indicaram maior probabilidade de um ajuste mais moderado.
Esse movimento acontece em um ambiente externo adverso, marcado pela escalada da guerra no Oriente Médio e seus efeitos sobre o mercado de energia. O preço do petróleo voltou a ser negociado acima de US$ 100 o barril, aumentando a incerteza global e afetando as projeções de inflação.
Na quarta-feira, a percepção de risco piorou após novos bombardeios em instalações de gás no Catar e no Irã, ampliando o temor de interrupções no fornecimento. Esse contexto levou analistas a revisarem rapidamente suas projeções, reduzindo o espaço para cortes mais agressivos de juros e, em alguns casos, considerando a possibilidade de manutenção da taxa.
O encarecimento de combustíveis e seus efeitos em cadeia sobre os preços permanecem no radar e devem orientar os próximos passos da política monetária. O corte atual marca apenas o início de um ciclo que tende a ser gradual e dependente de dados.
O Banco Central já havia indicado, na reunião de janeiro, que poderia iniciar a flexibilização caso o cenário evoluísse conforme o esperado, o que se confirmou, embora com menor intensidade do que o mercado projetava inicialmente.
A revisão das expectativas, captada pelo boletim Focus desta semana, apontava para um corte de 0,25 ponto, refletindo a deterioração do ambiente externo. A autoridade monetária deve manter uma postura cautelosa, pois a inflação segue pressionada e os efeitos do choque de commodities ainda são incertos.
A ata da reunião, que será divulgada na próxima semana, deve trazer mais detalhes sobre o ritmo dos próximos cortes, mas a sinalização até aqui é de um ciclo mais lento, com ajustes graduais condicionados à evolução do cenário internacional e dos preços no Brasil.


