No dia 18 de março de 2026, o Banco Central (BC) anunciou a redução da Taxa Selic para 14,75% ao ano, marcando o primeiro corte em quase dois anos.
A decisão foi tomada por unanimidade pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que cortou a taxa em 0,25 ponto percentual. O mercado financeiro já esperava essa medida.
No comunicado, o Copom destacou que as incertezas geradas pela guerra no Oriente Médio exigem cautela. O BC não descartou a possibilidade de rever o ciclo de baixa, se necessário.
“”O Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo,””
afirmou o texto oficial.
A Selic estava em 15% ao ano desde junho do ano anterior. A última redução anterior ocorreu em maio de 2024, quando a taxa caiu de 10,75% para 10,5% ao ano. A partir de setembro de 2024, a taxa começou a ser elevada até alcançar os 15% atuais.
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em fevereiro de 2026, o IPCA acelerou para 0,7%, influenciado pelas mensalidades escolares, mas acumulou 3,81% em 12 meses, abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024.
A meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O novo sistema de meta contínua, em vigor desde janeiro de 2026, permite que a meta seja apurada mensalmente.
No último Relatório de Política Monetária, o Banco Central reduziu a previsão do IPCA para 2026 para 3,5%, mas essa estimativa será revista devido ao comportamento do dólar e da inflação. A próxima edição do relatório será divulgada no fim de março.
As previsões do mercado, conforme o boletim Focus, indicam que a inflação oficial deve fechar o ano em 4,1%, abaixo do teto da meta, embora as estimativas antes do início da guerra no Oriente Médio fossem de 3,95%.
A redução da taxa Selic visa impulsionar a economia, pois juros mais baixos barateiam o crédito e estimulam a produção e o consumo. Contudo, taxas menores podem dificultar o controle da inflação. O Banco Central manteve a previsão de crescimento da economia em 1,6% para 2026, enquanto o mercado projeta uma expansão de 1,83% do PIB.

