O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, afirmou nesta terça-feira (17) que a instituição permanece sólida e cumprindo seus compromissos. A declaração foi feita ao blog da Camila Bomfim.
Segundo Nelson, “O banco não tem nenhum risco, continua cumprindo tudo que é determinado para a instituição financeira. Então, o banco continua sólido e cumprindo o seu papel de desenvolver Brasília e região”.
O BRB adiou uma assembleia de acionistas que estava marcada para a manhã desta quarta-feira (18) devido a um impasse jurídico sobre o uso de imóveis do governo do Distrito Federal, que é o acionista controlador, para reforçar o caixa do banco.
Na segunda-feira (16), uma decisão liminar da Justiça do DF suspendeu a validade da lei que autorizou a entrega dos imóveis públicos ao banco. No mesmo dia, tanto o GDF quanto o BRB entraram com recursos para derrubar a decisão.
Na noite de terça-feira (17), a liminar foi suspensa pelo vice-presidente do Tribunal de Justiça do DF, desembargador Roberval Belinati. O adiamento da assembleia foi anunciado em fato relevante ao mercado e antecipado pelo blog.
Nelson de Souza comentou que o imbróglio gerou temor entre investidores: “Essa suspensão da lei 7.845 gerou, eu diria, um certo temor nos investidores qualificados. Todo aquele trabalho que nós fizemos na Faria Lima de buscar os grandes investidores – fizemos um roadmap, tivemos uma lei, um roadshow, e já tínhamos vários [investidores]”.
A assembleia tinha como pauta a intenção do BRB de captar até R$ 8,86 bilhões emitindo 1,67 bilhão de ações ordinárias, que dão direito a voto. O objetivo é aumentar o capital social do banco e reenquadrar o balanço patrimonial nos limites prudenciais previstos pela lei brasileira.
Além dessa captação, o BRB trabalha com pelo menos outros quatro mecanismos principais para restabelecer seu patrimônio: a constituição de um fundo de investimento imobiliário com nove lotes públicos do governo do DF, avaliados em R$ 6,6 bilhões; a oferta desses imóveis como garantia em um empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC); a venda de ativos do próprio BRB; e a securitização de ativos do governo.
Parte dessas estratégias já constava no plano “preventivo” entregue pelo BRB ao Banco Central em fevereiro. O BRB tem até o fim do mês para divulgar o balanço do segundo semestre de 2025, e o mercado financeiro espera que o banco apresente soluções concretas para recompor o capital.


