Bebeto Queiroz, prefeito eleito de Choró, está foragido há mais de um ano. Ele é apontado como o chefe de um esquema de fraude a licitações e desvio de emendas parlamentares, desvendado pela Polícia Federal em janeiro de 2026. O político, cujo nome completo é Carlos Alberto Queiroz, foi cassado e está foragido desde dezembro de 2024.
Eleito nas eleições municipais de 2024, Bebeto não chegou a tomar posse. Ele foi preso em novembro de 2024, suspeito de envolvimento em fraudes em contratos de abastecimento de veículos da prefeitura. Após ser solto no início de dezembro de 2024, um novo mandado de prisão foi expedido contra ele, por outros crimes, e desde então seu paradeiro é desconhecido.
A Justiça Eleitoral cassou a chapa liderada por Bebeto em abril de 2025, e o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) manteve a cassação em agosto do mesmo ano. Uma nova eleição foi realizada em Choró no dia 1º de março de 2026.
Um relatório da Polícia Federal, datado de janeiro de 2026, revelou um esquema de negociação de emendas parlamentares e fraudes a licitações em diversos municípios do Ceará. Bebeto e o deputado federal Júnior Mano (PSB) são apontados como líderes do grupo criminoso. A assessoria jurídica de Júnior Mano afirmou que a investigação não encontrou evidências relevantes contra ele e lamentou o vazamento de informações sigilosas.
De acordo com o relatório, Bebeto era responsável por intermediar a destinação das emendas do deputado para prefeituras alinhadas ao grupo. Ele negociava uma porcentagem das emendas, que variava entre 12% e 15% do valor. As investigações indicam que Bebeto utilizava várias empresas com contratos em prefeituras para desviar recursos, que eram usados para enriquecimento ilícito e financiamento de campanhas eleitorais.
A Polícia Federal destacou que não foi possível ouvir Bebeto, pois ele está foragido, dificultando sua defesa e reforçando a ideia de que sua evasão está ligada à obstrução da investigação. Um mandado de prisão contra ele permanece em aberto em todo o país.
O esquema operado por Bebeto e Júnior Mano envolvia a distribuição de emendas parlamentares com cobrança de retorno financeiro. A estrutura já existia antes da entrada de Júnior Mano, mas sua influência ampliou o alcance do esquema. Os recursos eram direcionados para municípios estratégicos, visando a cooptação política de prefeitos e manipulação de processos de contratação pública.
O grupo se retroalimentava, com empresas do esquema conseguindo contratos nas prefeituras dos aliados eleitos. O relatório da Polícia Federal cita pelo menos dez empresas suspeitas de envolvimento, que receberam cerca de R$ 455,5 milhões entre janeiro de 2023 e janeiro de 2025. Nove dessas empresas estão vinculadas a 71 prefeituras do Ceará, onde candidatos apoiados pelo grupo foram eleitos em aproximadamente 50 cidades.


