Belém registrou a maior variação no preço da gasolina entre as capitais brasileiras, conforme levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP). O estudo analisa semanalmente os preços dos combustíveis por estados e regiões, revelando disparidades significativas entre diferentes localidades do país.
Os dados da ANP, referentes à semana de 8 a 14 de março, mostram que algumas capitais apresentaram aumentos expressivos nos preços dos combustíveis. No caso do diesel S10, Palmas registrou o valor de R$ 7,11, com alta de 14,7%. Cuiabá chegou a R$ 7,21, com aumento de 14,1%, e Curitiba alcançou R$ 6,91, representando elevação de 14,2%.
Essas variações estão diretamente relacionadas a impostos estaduais, como o ICMS, e são amplificadas em cenários de instabilidade internacional. “Essa diferença de preço piora principalmente em cenários como esse, que a gente tem uma guerra acontecendo”, destacou Débora Oliveira, referindo-se aos conflitos internacionais que pressionam os preços do petróleo.
O ministro da Fazenda havia anunciado, em 12 de março, a retirada do PIS-COFINS dos combustíveis, com estimativa de redução de R$ 0,64 por litro de diesel, o que representaria um alívio de 17,53%. No entanto, esse impacto não foi sentido pelos consumidores devido a fatores como a especulação de mercado e o aumento de 11,62% anunciado pela Petrobras.
“Se a Petrobras anunciou um aumento de 11,63% e o governo tirou impostos que deveriam reduzir 17,53%, teoricamente não era para a gente estar tendo aumento de 14% em algumas regiões”, explicou Débora. A especialista ressalta que o movimento especulativo em torno dos combustíveis já vinha ocorrendo antes mesmo do ajuste oficial da Petrobras, com postos repassando aumentos antecipadamente.
A disparidade entre estados é histórica e chama atenção mesmo em localidades com polos de produção da Petrobras. “Uma das coisas que eu sempre comentava quando antes de morar aqui em São Paulo vinha visitar, era que eu percebi uma diferença estúpida de preço tanto pra gasolina como pro diesel em Natal, sendo mais caro. E olha que em Natal a gente tem polo de produção em Petrobras”, observou a analista.


