No dia 16 de março de 2026, o Banco de Compensações Internacionais (BIS) solicitou que os bancos centrais do mundo não reajam de forma exagerada ao recente aumento nos preços globais de energia, que foi impulsionado pela guerra entre Estados Unidos e Israel com o Irã.
A instituição destacou que este é um exemplo de quando é necessário evitar uma reação imediata a um choque, especialmente se este for considerado temporário. O aumento de 40% nos preços do petróleo e o salto de quase 60% nos preços do gás no atacado geraram comparações com a situação de 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia e a reabertura da economia global após a Covid-19 resultaram em uma disparada das taxas de inflação.
Os principais bancos centrais, como o Federal Reserve dos EUA e o Banco Central Europeu, aumentaram as taxas de juros para os níveis mais altos em décadas, mas enfrentaram críticas por terem reagido lentamente, após subestimarem o impacto que seria transitório. O BIS, em seu mais recente relatório, pediu cautela e uma análise mais cuidadosa das circunstâncias atuais.
““Se for um choque de oferta e, certamente, se for temporário, esses são os exemplos de livro texto em que você deve olhar além do choque, e não reagir com a política monetária”, afirmou Hyun Song Shin, principal consultor econômico do BIS.”
Os comentários de Shin foram feitos em um momento crítico para os mercados, com reuniões programadas do Federal Reserve, do Banco Central Europeu, do Banco da Inglaterra e do Banco do Japão, as primeiras desde o início do conflito no Oriente Médio em 28 de fevereiro. O Banco Central brasileiro também discutirá a taxa de juros nesta semana.
Os mercados monetários já ajustaram suas expectativas, reduzindo o número de cortes nas taxas do Fed para um e precificando um aumento do BCE até julho, além de uma chance de 85% de um segundo aumento até o final do ano. Shin comentou que a reação dos mercados é uma “espécie de reação instintiva”, destacando que os principais indicadores de inflação ainda não se ajustaram na mesma proporção, o que torna o cenário geral “muito confuso”.
O relatório do BIS, publicado trimestralmente, também incluiu estudos sobre como os bancos centrais mudaram suas comunicações com os mercados e o público após crises globais recentes. O estudo revelou que mais bancos centrais estão utilizando cenários para ilustrar implicações de riscos específicos, além de ferramentas tradicionais como gráficos em leque e discussões qualitativas sobre riscos.
Além disso, muitos bancos centrais tentaram se afastar da orientação futura sobre o provável rumo das taxas, publicando suas próprias projeções de taxas em contextos de cenários alternativos. A visão do BIS sobre os riscos atuais do mercado também abordou surtos de volatilidade observados este ano, incluindo vendas acentuadas de ações ligadas à inteligência artificial e problemas no mercado de crédito privado.
““Temos que observar isso”, disse Frank Smets, vice-chefe do departamento monetário e econômico do BIS. “Mas não vemos nenhuma grande disrupção neste momento”.”

