O fechamento do Estreito de Ormuz, rota crucial para o escoamento de petróleo, já provoca impactos significativos na economia global e pode gerar efeitos inflacionários até 2027, segundo Beny Fard, sócio da B8 Partners.
Em entrevista, Fard explicou que o estrangulamento do escoamento de petróleo e outros insumos essenciais está gerando pressões inflacionárias em diversos países. Ele alertou: “Há, inclusive, indícios de que esse efeito inflacionário da falta do petróleo em alguns casos de escassez e também da majoração do preço possa se alastrar em 2026 e 2027 adentro.”
Atualmente, cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo, aproximadamente 20 milhões de barris por dia, passa pelo Estreito de Ormuz. Fard destacou que 85% das matrizes energéticas dos países não são renováveis, aumentando a dependência de combustíveis fósseis. “A gente percebe que esses 20% de todo o petróleo consumido no mundo estão faltando e, num acumulado, a gente tem não só o impacto de escassez em algumas nações, mas também o impacto de preço”, afirmou.
O especialista também mencionou que o Irã tem buscado manter seu fornecimento, ainda que em volume reduzido, para países como China e Índia. “O Irã tem buscado continuar o seu fornecimento, ainda que em um menor volume, especialmente para a China e outros países ali da circunvizinhança, em Índia especialmente”, explicou.
A China consome cerca de 14 milhões de barris de petróleo por dia, produzindo apenas 4 milhões e importando os 10 milhões restantes. Entre 1 milhão e 1,5 milhão de barris diários vinham do Irã, e metade do petróleo importado pela China passa pelo Estreito de Ormuz, colocando o país em situação vulnerável.
O barril de petróleo Brent já atingiu a marca de US$ 100, enquanto o WTI está cotado a US$ 94, representando um aumento de quase 100% em relação ao ano anterior. Fard alertou que projeções indicam que o preço pode chegar a US$ 150 se o conflito se estender por mais um ou dois meses.
Fard também comentou sobre o jogo geopolítico envolvendo o presidente Donald Trump, que pressiona aliados da Otan e a China a intervirem na situação. “O objetivo de Trump é trazer luz sobre alguns elementos que ele tem tentado trazer nesse seu segundo mandato”, analisou Fard.


