No dia 17 de março de 2026, o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, participou do Fórum Empresarial Brasil–Bolívia, realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (SP). O evento teve como objetivo fortalecer o comércio bilateral e promover a interação entre empresários bolivianos e brasileiros em setores estratégicos, como agronegócios, biotecnologia, energia e indústria.
Durante o encontro, Paz ressaltou que a Bolívia possui elementos logísticos que podem complementar o desenvolvimento agrícola brasileiro. Ele defendeu o aprofundamento da integração econômica entre os dois países, com base em um plano estratégico de longo prazo focado na complementariedade.
O presidente chegou ao Brasil após uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Brasília, no dia anterior. Desde 2023, cinco mercados foram abertos para produtos brasileiros na Bolívia, incluindo farinha, óleo de pescado, hemoderivados técnicos e material genético de aves. Segundo Paz, as economias, embora distintas, podem se fortalecer mutuamente.
“O Brasil é um país com uma quantidade extraordinária de ofertas, mas não tem algumas coisas que a Bolívia tem. Uma delas é o aspecto logístico que a Bolívia representa na América do Sul, já que temos cinco fronteiras”, afirmou o presidente boliviano.
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, também participou do evento e reafirmou que Brasil e Bolívia têm potencial para ampliar a cooperação na agropecuária, especialmente nos segmentos de alimentos e máquinas. Ele destacou que o encontro ocorre em um momento estratégico para o intercâmbio no setor agrícola.
O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, enfatizou a importância da relação histórica e complementar entre Brasil e Bolívia, destacando a necessidade de uma política externa voltada à integração sul-americana.
Paz também abordou os impactos dos eventos climáticos extremos na Bolívia, que resultaram em perdas territoriais significativas. Ele mencionou que novas medidas estão sendo implementadas para aumentar a competitividade e a capacidade produtiva do país, com foco em diretrizes que promovam a produção sustentável.
Além disso, o presidente boliviano destacou a cooperação ambiental com o Brasil, mencionando iniciativas discutidas em fóruns internacionais e a interdependência hídrica e ambiental entre os dois países. “Cerca de 60% da água que chega ao Brasil vem da Cordilheira dos Andes. Temos um coração comum, que é a Amazônia. Precisamos combinar capacidade produtiva com a preservação dos nossos pulmões”, concluiu.


