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Bolsas caem e preço do petróleo dispara com guerra no Oriente Médio

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

As Bolsas de valores enfrentaram quedas significativas nesta segunda-feira, 9 de março de 2026, enquanto os preços do petróleo dispararam 30%, alcançando quase US$ 120 por barril, em meio aos temores gerados pela guerra no Oriente Médio, que já dura duas semanas sem sinais de trégua.

A Bolsa de Seul, que apresentava bom desempenho antes do conflito, fechou com queda de 5,96%. Tóquio também recuou 5,2%. As Bolsas europeias seguiram a tendência de queda, com Paris diminuindo 2,59%, Frankfurt 2,47%, Londres 1,57%, Madri 2,87% e Milão 2,71%. As Bolsas de Hong Kong, Xangai, Taipé, Sydney, Singapura, Manila e Wellington também registraram perdas.

Os três principais índices de Wall Street tiveram uma queda superior a 2% na semana anterior. O dólar, por sua vez, recuperou parte de seu valor, sendo considerado um investimento refúgio.

O impacto da guerra é mais evidente no mercado de petróleo. Às 6h30 GMT (3h30 de Brasília), o barril de West Texas Intermediate (WTI) subia 15,51%, a 104,96 dólares, após ter atingido uma alta de 30%, a 119,48 dólares por barril. O Brent do Mar do Norte avançava 17,42%, a 108,82 dólares por barril, também após alcançar cotação superior a US$ 119.

Os contratos futuros de gás no TTF holandês, referência na Europa, subiram 30%, atingindo 69,50 euros (quase 80 dólares). Recentemente, ataques a campos de petróleo no sul do Iraque e na região autônoma curda do norte iraquiano resultaram em cortes na produção. Emirados Árabes Unidos e Kuwait também reduziram a produção devido aos ataques iranianos.

Os países do G7 estão considerando uma ação coordenada para utilizar suas reservas estratégicas de petróleo a fim de conter a alta dos preços. Uma fonte do governo francês confirmou que essa opção será discutida em uma videoconferência entre ministros das Finanças.

A Agência Internacional de Energia (AIE) exige que seus membros mantenham reservas equivalentes a 90 dias de importações. O tráfego no Estreito de Ormuz, que é responsável por 20% do petróleo e gás consumidos globalmente, está suspenso desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.

Com a expectativa de que os preços da energia permaneçam altos por um período prolongado, surgem temores de uma onda inflacionária que pode afetar a economia global. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou o aumento dos preços do petróleo, enfatizando a importância de eliminar “a ameaça nuclear do Irã”. “O aumento de curto prazo dos preços do petróleo, que cairão rapidamente quando terminar a destruição da ameaça nuclear do Irã, é um preço muito pequeno a pagar pela segurança e pela paz dos Estados Unidos e do mundo”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social, acrescentando: “APENAS OS TOLOS PENSARIAM O CONTRÁRIO!”.

Analistas, no entanto, alertaram para um impacto severo na economia mundial. Stephen Innes, da SPI Asset Management, afirmou: “O choque mais profundo está se espalhando pela cadeia produtiva”. Ele destacou que “o petróleo acima de 100 dólares não é apenas uma alta no preço das commodities. Ele se torna um imposto sobre a economia global”.

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