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Bombeiro do PA viaja a MG para apoio a vítimas de enchentes na Zona da Mata

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O coronel e psicólogo Mário Brito, do Corpo de Bombeiros do Pará, foi acionado pela Força Nacional do SUS para prestar apoio psicológico às vítimas das enchentes que atingiram a Zona da Mata mineira, especialmente nas cidades de Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa. Ele chegou à região no dia 27 de fevereiro e completou sua missão em 10 dias, retornando ao Pará na noite de 9 de março.

Brito, que tem 19 anos de experiência na corporação, explicou que sua atuação se concentrou em duas frentes: apoio à gestão municipal para reestruturar redes de saúde e atendimento à saúde mental de vítimas e profissionais envolvidos na emergência. “O trabalho do psicólogo nos contextos de emergências e desastres atua no suporte psicossocial imediato, com acolhimento de vítimas, afetados e familiares”, detalhou.

As chuvas extremas em fevereiro, que ultrapassaram 700 mm, causaram deslizamentos e mortes, sendo consideradas o 4º maior desastre por chuvas no Brasil nos últimos dez anos. Brito enfatizou a importância de evitar a medicalização excessiva de sintomas comuns como ansiedade e insônia, orientando as equipes locais sobre a patologização de sinais esperados.

Durante sua missão, ele encontrou histórias de resiliência, como a de uma mãe que, após perder a filha em outra missão, se tornou voluntária ajudando outras pessoas em Minas Gerais. Outra história marcante foi a de uma ex-abrigada nas enchentes do Rio Grande do Sul, que agora atua como voluntária na Força Nacional do SUS.

A rotina de Brito em Minas incluía reuniões matinais e noturnas para monitorar o bem-estar da equipe e limitar a permanência em campo, visando preservar a saúde mental dos envolvidos. “A longa exposição tem impactos para quem está na linha de frente”, alertou.

Ao retornar, Brito sentiu que cumpriu seu dever. “Cheguei e vi tudo caótico em Juiz de Fora e Matias Barbosa; saio vendo as cidades retomando a capacidade de resposta. O trabalho nas emergências nos coloca na posição de que todos estamos vulneráveis. Nosso papel é levar esperança, conforto e dignidade para diminuir o sofrimento”, concluiu.

As enchentes na Zona da Mata resultaram em 72 óbitos até a publicação desta reportagem, com diversos bairros de Juiz de Fora enfrentando deslizamentos e casas soterradas.

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