Boto-cor-de-rosa resgatado em canal de Belém morre após tratamento

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O boto-cor-de-rosa resgatado em um canal de Belém, no Pará, morreu na madrugada desta quinta-feira (19), após tratamento realizado por veterinários do Ibama e parceiros. O animal foi encontrado em situação crítica na última terça-feira (17) e foi atendido no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) em Benevides, antes de ser transferido para o Instituto Bicho D’Água, em Castanhal.

Durante o atendimento, os profissionais observaram escoriações graves, baixo escore corporal e sinais de estresse. O cetáceo apresentou evolução positiva até a tarde de quarta-feira (18), alimentando-se e mostrando atividade, mas teve uma piora rápida à noite, falecendo por volta das 4h no centro em Castanhal.

A morte do boto-cor-de-rosa faz parte do Projeto de Caracterização e Monitoramento de Cetáceos das Bacias Pará-Maranhão e Foz do Amazonas, exigência do licenciamento ambiental federal conduzido pelo Ibama para atividades da TGS na Margem Equatorial. O Ibama e o Instituto Bicho D’Água lamentaram a morte do animal e afirmaram que empregaram todos os esforços para sua recuperação.

O boto foi resgatado no canal União, no bairro do Marco, e pode ter sido arrastado até o local devido às chuvas intensas e maré alta. O educador ambiental Leonel Ferreira, do Instituto Biologia e Conservação de Mamíferos Aquáticos da Amazônia (BioMA), explicou que o animal pode ter ficado desorientado pela força das águas.

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Leonel também destacou que a transformação dos cursos d’água ao longo do tempo pode contribuir para situações como essa, já que a área onde o boto foi encontrado faz parte da bacia do rio Tucunduba, que já foi um rio no passado. Ele alertou que o crescimento desordenado e a urbanização alteram a dinâmica natural e afetam a fauna local.

A participação da população foi fundamental no resgate do boto. Moradores acionaram os órgãos responsáveis e evitaram qualquer tipo de agressão ao animal. O Corpo de Bombeiros isolou a área, e o resgate contou com o apoio do BioMA e da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra).

Especialistas reforçam que, ao encontrar animais silvestres em áreas urbanas, a recomendação é não se aproximar nem tentar capturar. O Ibama orienta a população a denunciar avistamentos de fauna em risco pelo 0800 61 8080.

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