O Ministério da Agricultura decidiu modificar os procedimentos de fiscalização aplicados às cargas de soja destinadas à exportação para a China. A mudança foi oficializada na noite de sexta-feira, 13 de março de 2026, pelo Serviço de Vigilância Agropecuária Internacional, após solicitações de empresas tradings do setor.
Pelas novas regras, as amostras de soja que serão submetidas à inspeção passarão a ser coletadas pelas empresas supervisoras de embarques contratadas pelas tradings. Anteriormente, essa coleta era realizada por fiscais agropecuários do ministério. Apesar da alteração, parte das cargas continuará sendo verificada diretamente pelo órgão público, com 10% dos embarques tendo amostras coletadas por fiscais da Pasta.
As novas normas passam a valer imediatamente para todos os carregamentos em que a coleta de amostras ainda não tenha sido realizada. A mudança ocorreu após exportadoras relatarem dificuldades operacionais causadas pelas novas normas de inspeção.
Na última semana, o Ministério da Agricultura informou que inspeções recentes identificaram espécies de plantas daninhas classificadas pela China como quarentenárias, ou seja, organismos que não existem naquele país. Quando isso acontece, as cargas deixam de atender aos requisitos fitossanitários exigidos para exportação, o que impede a emissão do certificado necessário para o envio do produto.
Por esse motivo, e a pedido de Pequim, foram adotados controles fitossanitários mais rigorosos. No entanto, a medida passou a afetar embarques de soja brasileira destinados à China, gerando preocupação sobre uma possível redução no fornecimento ao maior importador mundial da commodity.
Diante desse cenário, a Cargill suspendeu temporariamente as exportações de soja do Brasil para a China e interrompeu as compras do grão destinadas a esse mercado. Outras empresas do setor, como a Cofco International e CHS Agronegócio, também relataram dificuldades para realizar embarques ao mercado chinês.


