Os agricultores brasileiros devem colher sua menor safra de trigo em cinco anos, segundo previsões de analistas. A estatal Conab estimou a produção de trigo desta temporada em 6,9 milhões de toneladas métricas, o que representa uma queda de 12,3% em relação ao ciclo anterior e a menor produção desde 2021.
A estimativa da Conab está alinhada com a projeção da consultoria de agronegócios Safras & Mercado, que havia estimado a safra 2026/27 em 6,86 milhões de toneladas. O plantio nos principais Estados produtores de trigo do Brasil está programado para começar em abril, embora as semeaduras devam diminuir, conforme indicam as estimativas.
A colheita geralmente começa em setembro no Brasil, que é o segundo maior produtor de trigo da América do Sul e um grande importador do grão. A Safras indicou que a área plantada em 2026/2027 pode cair até 40% em relação a quatro anos atrás, o que representa um recuo de 15,5% em relação à temporada anterior, totalizando 1,99 milhão de hectares.
A Conab, de forma mais conservadora, estimou que a área de plantio cairá 5,2% este ano, para 2,32 milhões de hectares. Os agricultores estão reduzindo a intenção de plantar trigo devido a pressões econômicas e condições climáticas adversas, segundo a Safras e a Conab.
““O principal impedimento é a deterioração entre o preço do trigo e o custo dos insumos”, disse o analista da Safras, Elcio Bento.”
Ele acrescentou que o aumento do custo dos fertilizantes, especialmente dos fertilizantes nitrogenados, tem pressionado os custos de produção. Os preços dos fertilizantes dispararam nas últimas semanas devido ao conflito com o Irã no Oriente Médio, que resultou em embarques retidos pelo Estreito de Ormuz.
Além disso, os produtores estão preocupados com a possibilidade de o fenômeno climático El Niño atingir a região sul no segundo semestre do ano, o que pode trazer chuvas excessivas e aumentar o risco de problemas de qualidade. Os custos do seguro agrícola, o crédito limitado e as perdas financeiras registradas nas safras recentes também têm reduzido a disposição dos produtores em assumir riscos maiores.


