Brasil perde quase meio trilhão de reais com mercado ilegal em 2025

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O mercado ilegal no Brasil alcançou quase meio trilhão de reais em 2025, conforme levantamento do FNCP (Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade), divulgado nesta sexta-feira (6).

O estudo revela que as perdas causadas por contrabando, falsificação e pirataria totalizaram mais de R$ 473 bilhões no último ano, abrangendo 15 setores produtivos. Este valor inclui R$ 326,3 bilhões em perdas diretas da indústria e R$ 146,8 bilhões em evasão fiscal.

Em 2020, o prejuízo no Brasil era de R$ 288 bilhões. Nos últimos cinco anos, o aumento foi de 64%, representando um acréscimo superior a R$ 185 bilhões. Em uma década, as perdas mais que quadruplicaram, consolidando o mercado ilegal como um dos principais fatores de desequilíbrio econômico e concorrência desleal no país.

Edson Vismona, presidente do FNCP, destacou que a combinação de alto lucro e baixo risco atrai organizações criminosas para o mercado ilegal, que se tornou uma importante fonte de financiamento para essas redes.

O impacto do mercado ilegal se estende por diversas cadeias produtivas. Os dez setores mais afetados e seus respectivos valores são: Vestuário: R$ 87,3 bilhões; Bebidas alcoólicas: R$ 83,2 bilhões; Combustíveis: R$ 29 bilhões; Higiene pessoal: R$ 21 bilhões; Perfumaria e Cosméticos: R$ 21 bilhões; Defensivos agrícolas: R$ 20,6 bilhões; Ouro: R$ 12,7 bilhões; TV por assinatura: R$ 12,1 bilhões; Óculos: R$ 11,4 bilhões; Cigarros: R$ 10,5 bilhões.

O levantamento também aponta que os efeitos da ilegalidade vão além da concorrência desleal e do impacto econômico. Segundo o FNCP, a expansão da ilegalidade prejudica a arrecadação tributária, limita o investimento público em áreas essenciais e fortalece o crime organizado. Vismona afirmou: “Estamos diante de um problema estrutural, que vai muito além dos efeitos econômicos.”

A Alac (Aliança Latino-Americana Anti Contrabando) indica que o mercado ilegal representa 2% do PIB (Produto Interno Bruto) dos países da América Latina, enquanto no Brasil essa porcentagem sobe para 3,75%.

Um levantamento do Instituto Ipsos Ipec revela que o cigarro é o item mais apreendido pela Receita Federal no Brasil. Em 2025, as facções criminosas circularam cerca de 32 bilhões de unidades de cigarros ilegais, movimentando R$ 10 bilhões para o crime organizado, com R$ 8,5 bilhões em evasão fiscal. Atualmente, três em cada dez cigarros vendidos no país (31%) são ilegais.

Dados da Receita Federal mostram que entre janeiro de 2026 e o mesmo mês de 2025, o valor das apreensões aumentou 22%. Em janeiro deste ano, foram retidos R$ 61,5 milhões em maços ilegais em todo o país, evidenciando a escala e a organização dessas operações.

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